Trabalho escravo

Entregadores de apps anunciam greves pelo país

A CUT tem de ser o instrumento de organização para a construção de uma grande mobilização nacional dos entregadores

A categoria de entregadores está dando um importante passo adiante na melhoria das condições de trabalho, contra a demagogia neoliberal sobre a alcunha “empresários autônomos”, a mentira moderna que disfarça a realidade de escravidão às avessas maquiadas de livre concorrência, meritocracia e outras baboseiras que não resultam em melhoria para a categoria de trabalhadores e sim menos dignidade no trabalho Sofrendo com a falta de alimentos em suas mesas e com a dura realidade de uma inflação (que nesse mês bate 10,72% conforme IPCA-15), os trabalhadores de aplicativo têm em média uma jornada de 65 horas semanais com salários médios na faixa de R$1172,63, um equivalente-hora de R$5,03. Isso numa realidade na qual a cesta básica teve reajustes dramáticos desde o golpe de 2016 e hoje atinge valores superiores à R$670,00, onde a gasolina alcança valores próximos a dois dígitos.

Às vésperas do carnaval, no dia 25 de fevereiro começaram as manifestações contra a destruição dos direitos trabalhistas. Os trabalhadores de aplicativos sabotados não têm uma jornada ajustada que respeitam as 44 horas semanais, a necessidade de conseguir mais dinheiro esbarra na impossibilidade de conseguir horas extras com a bonificação estabelecida pela Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT que abona o trabalhador em 50% a mais pela hora trabalhado além da jornada. O FGTS obriga a empresa a arcar com 8% do valor bruto do salário do empregado num fundo que servirá ao trabalhador num momento de emergência. A palavra férias é um brincadeira de mal gosto no cotidiano desses empregados. Licença-maternidade ou paternidade nem se fala — se o trabalhador não bater o ponto na jornada os valores do dia são descontados e conforme uma falta no contrato da CLT.

Como os contratos não são oficiais, o seguro desemprego não é garantido em várias dessas situações por conta da não caracterização de “desempregado” e estar na condição de trabalhador “autônomo”. A jornada exaustiva num trânsito cada vez mais caótico transforma o ambiente de trabalho num ambiente tóxico que o coloca em risco o tempo inteiro ao transitar com demasiada frequências as vias das cidades urbanas e não é sequer pensado um adicional de periculosidade nessas situações no qual a natureza do trabalho impõe ao trabalhador. Aviso prévio, se não tem contrato não tem aviso e novamente aqui o trabalhador encontra-se vendido ao sistema, sem condições de se preparar para uma eventual demissão e novamente encontram-se frágeis nessa relação de trabalho. Décimo terceiro nem se fala, uma vez que não há nessa relação de trabalho registro oficial desse trabalhador.

A fragilidade desse setor é gigantesca. E é por isso que o anúncio de greves da categoria são tão bem-vindos: apenas com a organização dos trabalhadores é possível discutir com os patrões em pé de igualdade, pois o único diálogo que os patrões entendem é a greve, a paralisação e a união dos trabalhadores. As mobilizações serão organizadas em diversos regiões como Vitória – ES, Cuiabá – MT, Florianópolis – SC, Rio Branco – AC, Limeira, Mauá, Piracicaba – SP, Goiânia – GO, Manaus – AM, Campo Grande – MS. A tendência é que cada região de trabalho organize sua região para fortalecer as reivindicações que no caso para além da melhoria das condições de trabalho, contrato de trabalho e demais garantias que a CLT prevê a principal demanda o aumento da taxa paga por corrida para R$5,31 paga pelos aplicativos que acabam funcionando como cartel entre as concorrentes IFood, Rappi, Uber Eats, 99 Food, James Delivery, aiqfome, Cornershop, Quero Delivery, Delivery Much, UaiRango e entre outras empresas do ramo que praticam o mesmo valor inferior a essa reivindicação.

A categoria de trabalho reivindica o fim da ROTA DUPLA, ou seja, dois ou mais pedidos numa mesma viagem que caracteriza crime contra o trabalhador, assédio moral e dano material. A reivindicação também se dá contra os desligamentos sem justa causa. Junte-se as organizações que estão organizando a categoria de trabalho na sua região, entre em contato com CUT aos telefones de cada Estado no qual os trabalhadores se organizam para uma frente única contra esses patrões.

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