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Mato Grosso do Sul

Em assembleia, índios se reúnem para discutir suas reivindicações

Grande Assembleia de mulheres Caiouá e Guarani no Mato Grosso do Sul


A Grande Assembleia de Mulheres Caiouá e Guarani de Mato Grosso do Sul, que ocorre desde 2012, ocorreu de 22 a 26 de novembro deste ano, com participação de comunidades indígenas paraguaias em Antônio João, sul do estado, próximo à fronteira com o Paraguai e à Amambai, onde a violência contra indígenas das retomadas causou vários assassinatos nos últimos meses.

As últimas vítimas das armas do latifúndio foram Victor e Alex, relembrados pelos participantes do evento. Aproximadamente 300 pessoas estavam presentes no primeiro dia da assembleia. Magno Souza e mais dois militantes do Partido da Causa Operária (PCO) também estiveram presentes nesse primeiro dia de discussões, que contou com a presença da deputada eleita pelo PT/MS, Camila Jara, representantes da ONU e outras instituições financiadoras do evento.

Entre os temas da pauta, segundo a programação do evento, estão:

  •  Conjuntura política após as eleições 2022;
  • Lançamento da Coletânea do Mapa da violência virtual, (documentário, dossiê e III módulo do mapa da violência) escrito pelas mulheres Caiouá e Guarani;
  • Os impactos da Ferrovia Ferroeste nos territórios Caiouá e Guarani e a Convenção 169 da OIT;
  • III Audiência pública Internacional: Corpos silenciados e vozes presentes – A violência contra as mulheres Caiouá e Guarani;
  •  Aliança local, nacional e internacional com movimentos sociais: um chamado das mulheres Caiouá e Guarani

No primeiro dia de evento, dois pontos importantes da lista foram discutidos pelos participantes. Um deles, a conjuntura política após as eleições, trouxe à tona a questão do Ministério dos Povos Originários no governo Lula. No período da manhã, a fala da deputada Camila Jara abordou o tema, retomado por Magno Souza, candidato a governador do Mato Grosso do Sul pelos PCO, em sua fala, uma das últimas intervenções no período da tarde. Magno foi bastante aplaudido e também foi procurado por muitos dos participantes, que tinham interesse em tirar fotos e debater com o militante.

Em sua fala, Magno ressaltou a importância da luta das retomadas e a posição do PCO em relação à polícia e às forças repressivas do latifúndio, relatando alguns fatos que vivenciou durante sua campanha e como seus adversários queriam “comprá-lo”, e como isso apenas o motivou mais ainda em sua luta.

Antes da intervenção de Magno, um antropólogo ligado aos movimentos indígenas e de camponeses sem terra apresentou o tema que, em princípio, foi colocado como principal nessa seção do debate: a ferrovia da soja. Conforme os dados, mapas e pesquisas apresentadas, a ferrovia levará a soja do Mato Grosso do Sul, saindo de Maracajú, cidade próxima a Campo Grande, cortando todo o centro-sul do estado e o estado do Paraná, tendo como ponto final o porto de Paranaguá, para exportação. O principal problema abordado foi que essa ferrovia cortará áreas indígenas já homologadas para demarcação, áreas em estudo para demarcação, aldeias e áreas dos indígenas necessárias para subsistência e cultivo das plantas nativas, além da manutenção de fontes d’água.

A maioria dos participantes se posicionaram, em princípio, totalmente contra a construção de tal ferrovia, o que é natural, já que não foi feito nenhuma discussão séria do governo com os índios. Finalmente, os que moram no trajeto não foram devidamente consultados sobre o assunto. Existe um protocolo a ser feito, como parte do processo, que a maioria dos presentes desconhecia.

É importante ressaltar que a construção da ferrovia não é algo reacionário. Muito pelo contrário, trata-se de um progresso, uma vez que facilitaria o transporte de matérias-primas e demais produtos ao longo do território brasileiro. Algo imprescindível para o desenvolvimento nacional. Nesse sentido, é algo que deve e pode ser feito sem a necessidade da agressão ou da imposição de algo contra os índios. Deve ser um processo que vise o progresso do país como um todo, e da população indígena local, algo que só pode ser feito por meio de negociações e conversas.

Outra informação que merece atenção é a denúncia feita por uma líder da comunidade anfitriã, o Tekoha Ñanderu Marangatu. A retomada em que ela vive não pode ter mais que meio hectare de cultivo agrícola, não pode ter cercas e nem vacas para própria subsistência. A liderança está ameaçada de morte por fazendeiros da região, assim como diversos outros índios que lutam pelas suas vidas diariamente contra os jagunços.

Magno Souza foi muito bem recebido no evento, demonstrando a vontade de luta e a compreensão dos índios com as questões que realmente importam para eles, como a questão da demarcação de terras ou a autodefesa, além da compreensão de quem são seus verdadeiros inimigos. É importante que os indígenas continuem se organizando para enfrentar os latifundiários, pressionando o governo Lula para atender às suas reivindicações e se mobilizando contra os ataques ao seu povo.

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