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Pressão

Economia: o grande capital procura emparedar Lula

Capitalistas tentam empurrar Lula cada vez mais à direita por meio da questão econômica, utilizando desde a imprensa burguesa, até figuras infiltradas em seu governo


A vitória eleitoral de Lula contra Bolsonaro representou, acima de tudo, uma grande vitória dos trabalhadores que, unidos, puseram um freio ao golpe no Brasil. As forças golpistas, apesar de não completamente derrotadas, precisam, agora, se reorganizar, buscando formas de atingir os seus interesses enquanto classe que, pelas demonstrações recentes de Lula, não constam no plano do novo governo.

Mesmo assim, a burguesia precisa fazer com que os banqueiros também estejam bem representados no próximo governo Lula. A economia, principal preocupação dos capitalistas, ocupa o lugar central na discussão envolvendo o plano de transição de Lula, em especial, o próximo ministro da Economia e a questão do teto de gastos.

Nesse sentido, para atender aos seus interesses, a burguesia está realizando uma ampla campanha que busca pressionar o ex-presidente cada vez mais à direita, tentando reduzir as perdas que deve sofrer nos próximos 4 anos. Raul Velloso, no Estadão, disse, na quinta-feira (10), que “O governo deveria gritar para o privado: ‘Ajudem-nos a fazer o País voltar a crescer!’”, defendendo a política do teto de gastos.

Além de uma pressão por meio da imprensa, a burguesia também tenta emplacar nomes próprios em seu governo. Adriana Fernandes, também na quinta-feira e no Estadão, afirmou que Pérsio Arida deveria ser o novo ministro da Economia de Lula porque, segundo a colunista, ele frearia a “gastança” do governo.

Ao mesmo tempo, partidos como o MDB, o União Brasil e o PSD, aproveitando que Lula precisa aprovar a PEC da transição para que possa realizar os investimentos que quer, estão pressionando o petista para adotar figuras da direita em sua equipe de transição, ministérios e cargos executivos em um geral.

Aqui, cabe ressaltar que, ao mesmo tempo que é uma infiltração dentro do governo Lula, não o é no sentido estrito da palavra. Trata-se de um embate interno entre as alas direita e esquerda do governo que, eventualmente, resulta na inclusão de figuras direitistas na administração de Lula.

Finalmente, o setor mais direitista e oportunista da esquerda está em vias de “tucanização” exatamente para atingir Lula e seu governo. Não é à toa que, no último período, setores ditos progressistas mostraram defender uma política profundamente reacionária digna do PSDB, como é o caso da repressão policial aos protestos bolsonaristas e da censura generalizada por parte do judiciário.

Ou seja, fica evidente que o grande capital está tentando emparedar Lula no que diz respeito à sua política econômica. No final, trata-se de uma completa sabotagem, tanto por parte da direita no governo e fora do governo, quanto da esquerda que, no geral, se direitiza cada vez mais.

Todavia, apesar de tudo isso, Lula vem resistindo aos ataques que vem sofrendo e, cada vez mais, mostra que governará ao lado dos trabalhadores.

Nesta quinta-feira (10), por exemplo, ele participou de um evento no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, centro administrativo da transição governamental. Na ocasião, falando para parlamentares que, até o momento, comporão a base de seu governo, Lula reagiu contra às exigências dos banqueiros, aparentando estar em uma batalha contra o neoliberalismo e suas reivindicações reacionárias.

Além de se colocar contrário ao teto de gastos, afirmando que “muitas coisas consideradas como gasto, temos que passar a considerar em investimento”, Lula também atacou a reforma trabalhista e, de maneira mais incisiva ainda, a entrega do patrimônio nacional ao imperialismo.

“As empresas públicas brasileiras serão respeitadas. A Petrobras não será fatiada, o BB e a Caixa não serão privatizados […] O BNDES, o BNB e o Basa voltarão a ser bancos de investimentos para pequenos e médios investidores”, disse o presidente eleito.

Ao lado de seu discurso feito na noite de quarta-feira (09), no qual afirmou, também, que priorizará os gastos sociais sobre a austeridade fiscal, Lula começou a preocupar o chamado “mercado” – outro nome para a burguesia mais ligada ao capital financeiro. De acordo com Lauro Jardim, em sua coluna para O Globo publicada na quinta-feira, “A Faria Lima foi dormir ontem de mau humor com Lula”.

É precisamente essa a luta que deve ser travada por parte de Lula. Ele deve ter como base fundamental de seu governo não a burguesia, mas os trabalhadores que, afinal, foram o fator mais importante para garantir a sua vitória. Decerto que ele precisará negociar dentro do Congresso e do Senado, mas precisa fazê-lo ao lado da mobilização popular que deve fazer com que a direita recue cada vez mais em suas tentativas de minar Lula.

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