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Terceira via

É preciso barrar o golpe eleitoral em marcha

Cabe aos setores mais conscientes da esquerda denunciar intransigentemente a operação para emplacar Simone Tebet e Cia.


As primeiras movimentações do tabuleiro eleitoral, uma vez iniciada a campanha oficial, confirmaram o que este Diário vem afirmando há tempos: os setores fundamentais da burguesia, especialmente aqueles ligados ao imperialismo, trabalham deliberadamente para emplacar o candidato da Terceira Via, o candidato do “nem Lula, nem Bolsonaro”. 

A atuação dos monopólios da imprensa capitalista durante este breve período deixou por demais evidente para onde a burguesia quer ir. 

Primeiro, tivemos a rodada de entrevistas com os principais candidatos presidenciais no Jornal Nacional, da golpista TV Globo. A diferença de tratamento concedida aos candidatos da Terceira Via ― em primeiro lugar, Simone Tebet, em segundo, Ciro Gomes ― contrastou cristalinamente com o que foi dispensado aos candidatos que tendem a polarizar as eleições, Lula e Bolsonaro. Enquanto os dois primeiros navegaram por águas tranquilas, em entrevistas “chapa brancas”, sem polêmicas, sem acusações e armadilhas, os dois últimos enfrentaram as turbulências de um debate hostil, algo parecido com um briga, repleto de temas escolhidos para encurralar os candidatos (como a da corrupção para constranger Lula, e o da pandemia para pressionar Bolsonaro).

Logo na sequência, tivemos o tradicional Debate da Band, ocorrido no dia 21 de agosto. Mais do que o debate propriamente, o mais interessante é analisar a cobertura que a imprensa burguesa fez dele. No jornal O Estado de S. Paulo, a comentarista tucana Eliana Cantanhêde decretou: “Com Bolsonaro e Lula fora de foco, Simone Tebet e Soraya Thronicke roubaram a cena”. Na Folha de S. Paulo, a manchete após o debate era: “Datafolha: Bolsonaro é o pior do debate, e Tebet, a melhor, dizem eleitores indecisos”. Seria possível citar inúmeras outras manchetes, em outros órgãos da imprensa capitalista, para reforçar essa linha. A participação de Tebet não apresentou nada de brilhante ou extraordinário, mas, seguindo como que um roteiro escrito antes mesmo de o debate acontecer, as matérias dos jornais e portais da burguesia a elegeram como a grande vencedora da peleja. 

O debate teve como complemento a mais recente pesquisa DataFolha, que deu seguimento à operação de favorecer a Terceira Via. Ao passo que Lula caiu 2%, e Bolsonaro estacionou na mesma pontuação, Tebet subiu de 2% para 5%. Se considerarmos não só o percentual da sua principal candidata, mas o de todos os seus peões (Ciro Gomes, Soraya Thronicke e Luiz Felipe d’Avila), somados, vemos que o percentual da Terceira chega aos 17%. Não é algo irrelevante. E daqui até o primeiro turno das eleições, mais manobras, certamente mais pesadas, virão.  

O alvo principal da Terceira Via é Lula, e não Bolsonaro. Para dar certo a manobra, o candidato da Terceira Via precisa aparecer como o candidato “anti-Bolsonaro”, como a candidatura mais eficiente para derrotar Bolsonaro e, com isso, arrastar as direções da esquerda atrás si em nome do combate ao “fascismo”, à “barbárie” e assim por diante. Para a Terceira Via sair vitoriosa, portanto, Lula precisa sair como o principal derrotado das eleições. 

É certo que a manobra da burguesia pode não vingar e que Simone Tebet apenas repita o desempenho de Alckmin em 2018. Mas não podemos desconsiderar de forma nenhuma que o perigo é real, que a burguesia aposta nessa via e que as condições para emplacar Tebet hoje são melhores do que as condições para emplacar Alckmin em 2018.

Cabe aos setores mais conscientes da esquerda denunciar intransigentemente a operação e trabalhar para que a campanha de Lula abandone as graves vacilações que podem pavimentar o caminho da derrota. A política do “já ganhou” e do bom-mocismo, que marcou até o momento a campanha de Lula, precisa ser substituída por uma política ofensiva, de ataque aos golpistas, uma política baseada na mais poderosa arma que Lula tem à disposição, a mobilização popular. 

A burguesia prepara um golpe eleitoral, uma manobra para colocar no poder um candidato desconhecido, sem apoio ou base popular. Foi o que aconteceu em 1989, com Collor de Melo, em 1994, com Fernando Henrique Cardoso, e em tempos recentes, na França, com a eleição de Emmanuel Macron. As organizações de luta dos trabalhadores devem barrá-lo.


COTV

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