Está marcado, para esta terça-feira (19), uma assembleia virtual chamada pela direção do Sindicato dos Bancários de Bauru, o qual é filiado à CSP/Conlutas, que irá deliberar sobre o Acordo Aditivo para a disponibilização da Comissão de Conciliação Voluntária (CCV) para os ex-bancários do Banco Itaú/Unibanco.
A primeira questão, que se deve considerar, é que a tal da CCV não tem nada de Voluntária. É mais uma armadilha dos banqueiros para tirar vantagens sob as ações trabalhistas, em “acordos” que, geralmente, são fechados, no melhor dos casos, por apenas 13% do valor real.
A Comissão se reúne entre o ex-funcionário, representantes do Sindicato e do banco, que busca acordos para pendências trabalhistas antes de serem levadas à justiça. A direção do sindicato, com a defesa da CCV, acaba colaborando com a política dos banqueiros em confiscar os direitos dos trabalhadores, colocando-os numa sinuca de bico.
É sabido que a justiça leva mais de 10 anos para concluir tais processos, onde os banqueiros recorrem até a última instância, contando, logicamente, com a morosidade proposital da justiça. Sendo assim, não sobra outra alternativa para o trabalhador, que já está com a corda no pescoço financeiramente, a não ser fechar o famigerado acordo com os patrões.
Todo trabalhador sabe que, os banqueiros são mestres em descumprimentos em relação aos direitos trabalhistas, principalmente quando se tratando da jornada de trabalho, uma transgressão grave e usual por parte dos patrões.
Levantamento feito pela DataLawyer aponta que os bancos comerciais foram os principais alvos de ações trabalhistas no Brasil durante a pandemia do coronavÍrus. O estudo aponta que os bancos, entre junho de 2020 a junho de 2021, responderam a 45,5 mil processos na justiça do trabalho. A enxurrada de ações contra os banqueiros se deve, principalmente, pela quebra do acordo, junto a entidades representativas da categoria, no qual estabelece que os bancos não podem demitir enquanto durasse a pandemia do coronavírus. Ao contrário disso, o que se viu foi a extinção de mais de 18 mil postos de trabalho ao longo desse período.
O que realmente está por trás da CCV é uma estratégia dos banqueiros na tentativa de por fim a um gigantesco passivo trabalhista referente às dezenas de milhares de ações trabalhistas que tramitam na justiça do trabalho.
Os acordos da CCV, além de trazer um enorme prejuízo para o trabalhador, ainda deixam a desconfiança da categoria junto aos sindicato em decorrência da cláusula de pagamento de taxa administrativa a qual diz que “a partir da data da assinatura deste acordo, os Bancos Acordantes pagarão, ao Sindicato Profissional, a taxa administrativa referente aos processos conciliados e inconciliados do mês anterior, destinada à cobertura das despesas administrativas.”
Os ex-trabalhadores bancários do Itaú não devem aceitar mais esse ataque dos banqueiros sanguessugas que, além de perderem os seus empregos, veem os seus direitos irem para o ralo e ainda contam com a colaboração com os setores pelegos abrigados nas instituições dos trabalhadores.
As direções sindicais não devem se submeter a mais esse ataque e devem preparar, imediatamente, uma reação contra a ofensiva reacionária dos banqueiros que, a todo momento, se utilizam de subterfúgios para lucrar às custas da miséria da categoria dos bancários e de toda a população. Não é por um acaso que os banqueiros, mesmo na pandemia e, consequentemente, com o agravamento da crise capitalista, é o setor da economia que vem lucrando mais.




