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Antônio Carlos Silva

Professor de Matemática. Fundador do PCO, integra a sua Executiva Nacional. Atuou na fundação do Coletivo de Negros João Cândido. Liderou a criação e coordenação dos Comitês de Luta contra o golpe e pela liberdade de Lula. Secretário Sindical Nacional do PCO, coordena a Corrente Sindical Nacional Causa Operária, da CUT.

Um tiro no pé

Burocracia sindical reclama que não houve repressão

Organizações de luta dos trabalhadores como a CUT não podem se colocar do lado do Estado repressor contra o direito de protestar


O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) , companheiro Sergio Nobre, assinou Nota intitulada “Eleições legítimas e povo soberano” juntamente com os presidentes de outras centrais: Miguel Torres, da Força Sindical, Ricardo Patah, da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Adilson Araújo, da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Moacyr Roberto Tesch Auersvald, da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e Antônio Neto, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB).

A nota se soma ao amplo coro de setores direitistas que clamaram por repressão contra os protestos de caminhoneiros e outras pessoas contra os resultados das eleições do último dia 30, que terminaram com a eleição do companheiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Isso quando os manifestantes são, em sua maioria, trabalhadores e setores das classes médias que, assustados pelo tamanho da crise imperialista e, ao mesmo tempo, completamente abandonados pela esquerda brasileira e pela burocracia sindical que a segue, evoluíram à direita que, de maneira demagógica e, portanto, enganosa diz defender os seus interesses. Foram, com a ajuda da imprensa capitalista e da burguesia golpista aliada de Bolsonaro manipulados e enxergam o novo governo de Lula com certo temor. São uma pequena parcela do expressivo número de eleitores (58 milhões!) que votaram no candidato da direita que, em 2108, foi eleito com o apoio de toda a burguesia (e inclusive de algumas das “centrais” sindicais que assinam a Nota) apenas e tão somente porque Lula foi condenado e preso ilegalmente.

Na Nota se afirma que:

É inaceitável e criminosa a posição adotada por setores partidarizados dos órgãos de segurança – em especial da Polícia Rodoviária Federal (PRF) – que prevaricam no cumprimento de suas funções e obrigações legais e constitucionais”.

 Uma posição típica da direita que condena: a) a “partidarização” e a discussão política no interior dos quartéis; b) o debate político no interior dos setores de base das forças armadas; e defendem que a PM e outras forças de repressão cumpram “cegamente”as ordens de, por exemplo, reprimir uma manifestação de professoras, estudantes, operários, sem terras etc.

A condenação feita ao suposto fato de que “setores partidarizadas” da PRF “prevaricaram”, equivale a dizer que eles não reprimiram as manifestação que está entre “suas funções e obrigações legais e constitucionais”. Tal condenação equivale, por exemplo, a se colocar contra a possibilidade de que PM’s não atirem contra trabalhadores indefesos, decumprindo ordens de seus comandantes, por terem alguma simpatia com sua luta ou simplesmente por se oporem à carnificina ordenada pelos oficiais.

São muitos os exemplo em que nós militantes do movimento operário, gostaríamos de ver os policiais “prevaricando” e se insubordinando contra as “obrigações” que o Estado criminoso lhes impõe, como em 1996 (para citar um caso) quando companheiros do MST ocupavam a BR 155, no Pará e a PM abriu fogo para “desobstruir a rodovia” contra os manifestantes que fechavam a estrada, matando 19 companheiros entre eles um jovem de 17 anos.

Que posição devem tomar as organizações operárias

Os presidentes das centrais não se dirigem aos manifestantes, incluindo os milhares de trabalhadores (alguns deles provavelmente filiados a sindicatos ligados às entidades), mas se juntam à imprensa capitalista e aos políticos da burguesia para rogar ao Estado repressor:

Conclamamos urgentemente que os governos federal e estaduais, as instituições democráticas, em todas as formas da Lei, adotem todas as providências, e o retorno da normalidade para garantir o respeito à democracia e ao resultado das eleições“.

O pretexto da maioria da esquerda e das direções sindicais é que não haveria outra coisa a ser feita frente a essa situação, que o único caminho dos que não concordam com os protestos (imensa maioria do povo brasileiro), seria ficar do lado da repressão. Tal posição, comum para os pelegos que inclusive apoiaram o golpe que derrubou a presidenta Dilma e a prisão de Lula, evidencia o profundo processo de direitização daqueles que se consideram defensores dos trabalhadores. AO invés da defesa dos direitos democráticos do povo, como a liberdade de manifestação, e da luta política por conquistar os trabalhadores iludidos para as posições da esquerda, temos a defesa de que é preciso reprimir os manifestantes, convocando, inclusive, – em alguns casos – sua militância para fazer o papel da polícia. Não existe política que afastará mais o povo da esquerda, das organizações sindicais (cada vez mais minoritárias nos últimos anos) do que essa.

Antes de mais nada, os sindicalistas e a esquerda deveriam buscar dialogar com os caminhoneiros e demais setores populares que participam dos protestos e defender os seus pontos de vistas, de interesse dos trabalhadores, para ganhar o seu apoio, para uma luta real que tem que ser dada contra a burguesia e o seu regime político que oprime o conjunto da classe trabalhadora, sem distinção entre os que apoiaram Lula, Bolsonaro ou se abstiveram.

Mostrando o conservadorismo da Nota, que não reflete com certeza a posição dos setores combativos dos petroleiros, metalúrgicos, professores, sem terras, trabalhadores do campo etc. que tantas vezes ocuparam estradas, premidos públicos, fábricas etc. , que (no caso da CUT, a maior de todas asorganizaç1oes sindicais) lutou contra o golpe, que inúmeras vezes enfrentou o parlamento reacionário, a Nota dos presidentes afirma que:

É importante destacar que o movimento sindical não aceite provocações e radicalismos e reforçam a importância do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) na busca de soluções republicanas“.

Adota-se assim a politica da direita do movimento sindical e do País em geral, de apoiar o Congresso dominado por lacaios dos banqueiros, dos latifundiários, enfim, dos setores mais reacionários do País, e da antidemocrática cúpula do Poder Judiciário – a mesma que prendeu Lula, que cassou o piso dos enfermeiros, que viola do direito de greve constantemente e decide, em 99,9% das vezes, contra os trabalhadores. Uma política que equivale a apoiar os patrões e seu Estado, suas organizações contra o povo trabalhador.

Essa política é ainda mais inadequada no momento atual em que o País está dividido, como se viu nas eleições e quando o movimento operário, e o próprio governo Lula que virá, precisa conquistar o apoio de uma parcela expressiva dos trabalhadores iludidos com a direita, o que só pode ser feito por meio da defesa dos direitos democráticos do povo e das suas reivindicações concretas contra os interesses dos banqueiros, grandes capitalistas e latifundiários que colocaram Bolsonaro no governo e vão agir para pressionar Lula no sentido dos seus próprios interesses.

O companheiro Lula, como presidente eleito e principal representante dos trabalhadores no Brasil, deve ir até os caminhoneiros e apresentar o um programa em sua defesa, como por exemplo, a redução dos combustíveis, para o que seria necessário estatizar completamente a Petrobrás para que, dessa maneira, o imperialismo pare de controlar os preços do diesel no País; a drastica redução do preços dos pedágios, com o cancelamento das privatizações feitas pelos governos tucanos (como os de FHC e Alckmin); a manutenção e ampliação dos auxílios que Bolsonaro impôs apenas para o período eleitoral etc.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), surgida na luta dos trabalhadores (muitas das vezes por cima das leis, enfrentando a repressão estatal etc.) ao invés de acompanhar a política dos pelegos, da esquerda conservadora, deve ser linha de frente nesse embate e apresentar para todas as categorias, em todo o Brasil, um programa de luta que tenha como preocupação principal os direitos da classe trabalhadora.

Essa iniciativa ajudaria, em muito, a dividir a direita, a ganhar setores da classe trabalhadora que foram provisória e parcialmente ganhos pela direita, mas que podem ser reconquistados para a luta da classe a que pertecem, a classe trabalhadora. É para isso que deve servir uma CENTRAL sindical, para unir os trabalhadores na luta contra seus verdadeiros inimigos, a burguesia e seu Estado reacionário.


COTV

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