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Fora o imperialismo do Peru!

Após golpe em Castillo, Peru se transforma em uma ditadura

Conforme se ampliam as manifestações de rua contra o golpe de Estado o governo de Dina Boluarte se torna cada vez mais repressivo


O golpe de Estado no Peru organizado pelo imperialismo que derrubou Pedro Castillo, se transforma cada vez mais em uma ditadura. A resistência popular cada vez mais crescente nas duas últimas semanas faz com que o governo da golpista Dina Boluarte feche cada vez mais o regime. A polícia e o exército estão nas ruas, o estado de exceção foi declarado, oficialmente já foram assassinados 25 manifestantes e, agora, sedes de partidos e de organizações populares estão sendo invadidas. A luta dos trabalhadores e camponeses contra o golpe coloca o regime em crise, o que o torna mais violento para tentar se manter de pé.

O foco das mobilizações é a capital Lima, para onde dezenas de milhares de pessoas de todo o país se dirigiram para aumentar a mobilização pela derrubada do regime golpista. As principais reivindicações das manifestações são a libertação de Pedro Castillo, preso pelo judiciário subserviente ao imperialismo, o fechamento do Congresso e a convocação de uma Assembleia Constituinte, para governar o país e pôr um fim à constituição de Fujimori. A Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru aderiu à mobilização e os camponeses de todo o país também participam dos protestos.

No dia 18 de dezembro, uma reunião nacional dos camponeses que organizava a luta contra o golpe na cidade de Lima foi invadida pela polícia. Mais de 80 pessoas foram detidas das quais 27 foram acusadas de terrorismo. O motivo da acusação eram os facões, ferramentas tradicionais usadas pelos trabalhadores rurais que possivelmente foram levadas para as manifestações. Os jornalistas da Telesur entrevistaram os manifestantes em frente à delegacia que protestavam contra a prisão desses trabalhadores, que afirmaram que, até o momento, não haviam visto nenhum facão nas mobilizações. Além disso, eles denunciaram que os advogados por muito tempo foram impedidos de atender os presos políticos.

O repórter da Telesur entrevistou uma das manifestantes que afirmou:

“No dia de hoje pela manhã a polícia entrou na Confederação Camponesa do Peru onde havia uma manifestação pacífica de camponeses de todo o país protestando contra a ditadura parlamentar. Até hoje já foram mais de 21 peruanos assassinados. Estamos em uma ditadura, os militares estão nas ruas, invadiram sedes partidárias e de organizações populares e camponeses. A responsabilidade é do Congresso e da senhora Dina Boluarte”

A polícia encarregada de reprimir essas manifestações é a Direção Nacional contra o Terrorismo. Essa polícia é uma resquício da ditadura de Fujimori e foi tradicionalmente utilizada para reprimir a esquerda e os trabalhadores peruanos, com destaque para o Partido Comunista, o Sendero Luminoso. Os guerrilheiros e militantes peruanos eram taxados de terroristas e assim foram vítimas de um massacre do governo que teve como sua força tarefa justamente a polícia anti-terrorista. Essa mesma unidade está sendo utilizada agora para sustentar o regime golpista.

Essa não é a única relação do governo Dina Boluarte com a extrema-direita fujimorista peruana. O Perú Libre, partido de Pedro Castillo, não está realizando uma grande mobilização contra o regime golpista mas atua como uma oposição parlamentar ao governo. Sua proposta é de novas eleições nos próximos 4 meses, acabando, assim, com o governo Boluarte. Ela, por sua vez, se alinha com a extrema-direita fujimorista no Congresso, que vota contra qualquer tentativa de eleição. A extrema-direita garantiu que as eleições só aconteçam em 2024, para assim ter muito tempo de estabilizar a situação política.

Enquanto isso, nas ruas, a repressão é violentíssima. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, são 25 mortos e 69 hospitalizados em todas as regiões do país, além de 287 altas médicas. A polícia e o exército reprimem não só com cassetetes e bombas de gás, mas também com munição letal. A presidenta golpista afirmou que as mortes serão investigadas pelo Ministério Público e pela Justiça Militar, um sinal de que não haverá investigação real nenhuma e portanto que a repressão deve continuar e se tornar ainda mais brutal.

Enquanto o regime vai se fechando, os EUA aumentam seu apoio ao Peru. Não só Dina Boularte se encontrou pessoalmente com a embaixadora dos EUA, Lisa Kenna, uma das principais articuladoras do golpe, como ele se comunicou diretamente com a Secretaria de Estado norte-americana. O apoio do imperialismo é uma das principais bases para se estabelecer uma ditadura, foi assim com todas as ditaduras fascistas na América Latina, inclusive as peruanas.

Apesar do fechamento do regime, não está claro que os golpistas sejam vitoriosos. Apesar da falência da esquerda, que não organiza a luta contra o golpe, as mobilizações dos trabalhadores crescem, o que pode derrubar o governo Boluarte e chamar novas eleições. Sem uma direção, entretanto, os trabalhadores não conseguirão impor uma derrota total aos golpistas, mas ante a crise gigantesca do imperialismo, o Peru possivelmente, assim como a Bolívia, será um dos países que não se submeterá ao controle total dos monopólios estrangeiros.

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