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Uma campanha sórdida

A artilharia da imprensa contra Neymar

Os órgão da imprensa de esquerda parecem não notar que estão reproduzindo uma campanha contra um jogador de futebol


Muitos perguntam por que o PCO, e particularmente este Diário, defendem Neymar. Perguntam como se houvesse uma insistência sem motivos de nossa parte em “bajular” o craque da Seleção. O que a maioria dessas pessoas não entendeu – por ingenuidade ou simples má fé – é que se dependesse de nós, Neymar seria elogiado como qualquer outro craque de futebol, apenas isso.

A pergunta correta é: por que a insistência em falar mal de um jogador de futebol? Uma insistência que se arrasta há anos e que não parou ─ pelo contrário, aumentou ─ em plena Copa do Mundo, quando se pressupõe que os jogadores devem ser deixados em paz para trazer o título.

Diante de uma campanha tão grande contra um jogador de futebol, não dá para ficar calado. Ainda mais porque sabemos que essa campanha não é espontânea, mas é articulada pela grande imprensa internacional com objetivos econômicos muito claros: controlar o futebol brasileiro, roubando o máximo de seu valor e desviando-o para os centros capitalistas.

O sítio Brasil 247 nos dias 27 e 29 de novembro, após o jogo do Brasil contra a Sérvia, apresentou ao menos três colunistas diferentes para atacar Neymar. Justiça seja feita, nenhum deles comemorou a lesão do jogador, coisa que fizeram alguns da imprensa. Mas fato é que existe um verdadeiro bombardeio contra o principal jogador da Seleção.

No dia 27, Gilvandro Filho fez uma coluna com o título “Pra não dizer que não falei de Neymar”. O autor parece se enquadrar na linha dos ingênuos que acha que a campanha contra Neymar não é uma campanha. Diz ele: “Critica-se Neymar por causa de Neymar, porque ele, sim, é arrogante, mau cidadão posto que sonegador contumaz, politicamente questionável, eticamente discutível. Porque fora do mundinho dele, para ele, não existe mais nada ou mais ninguém.”

Para o colunista, portanto, Neymar é o culpado por tudo. Ele repete o exato discurso da extrema-direita, que prega a ideia do “cidadão de bem”. A ingenuidade é um perigo mesmo. Se acreditarmos nessas ideias, deveríamos concluir que a imprensa imperialista internacional e a golpista brasileira são muito justas e comprometidas com a justiça a ponto de criticarem um jogador com comportamento ruim. Espanta tamanha ingenuidade.

Isso por um lado. Por outro lado, porque seria verdade que o ódio contra o jogador é causado por ele próprio pelos motivos citados se uma penca de jogadores brasileiros apresentaram na história as mesmas características? Como explicar que Romário, também considerado arrogante, era ídolo? Isso para ficar apenas em um exemplo.

Mas aqui, precisamos fazer um parêntese: Romário também sofreu muito com uma campanha contra ele na época, assim como muitos outros jogadores. E não compartilhamos a ideia de que o povo brasileiro de conjunto não gosta de Neymar, isso é uma falsificação que apenas convence o meio restrito de esquerdistas de classe média que falam para si mesmos.

O colunista do Brasil 247 aproveita para atacar até o técnico Tite. Segundo ele, é Neymar que comanda Tite. O técnico da Seleção não pode escalar nem defender o seu melhor jogador. Ainda bem que o técnico é Tite e não Gilvandro Filho. Mas vejamos se essa acusação é justa: Tite colocou Neymar como peça-chave do time na armação e ligação do meio com o ataque. Essa posição, por si só, coloca o maior craque da Seleção numa posição mais discreta na partida, no sentido de que ele vai mais servir do que fazer gols.

Se as coisas funcionam como diz o colunista o Brasil 247, por que o arrogante e mimado Neymar não exige jogar mais à frente, em vez de servir, ser ele o servido? Seria até justo, já que nessa posição Neymar será vítima da imbecilidade das pessoas que querem atacá-lo, que vão passar a Copa toda dizendo que foi um “jogador apagado”. Inclusive, foi o que a maior parte da imprensa fez no jogo contra a Sérvia, ignorando propositalmente o papel fundamental do jogador para abrir o espaço na retranca extrema dos sérvios até criar diretamente ele mesmo as condições para o primeiro gol.

Nesse mesmo sentido, outro colunista do mesmo portal afirmou que “em campo, apesar da grande habilidade, continua prendendo a bola em demasia e facilitando entradas mais duras dos adversários. Numa dessas, levou a pancada no tornozelo que o deixa fora da primeira fase da Copa, e que pode deixá-lo fora da competição”. O dono da afirmação é Ricardo Nêggo Tom, em coluna do dia 29 de novembro intitulada “Raphinha: um vassalo na corte do rei Neymar”.

O interessante da argumentação é que na Copa passada acusaram Neymar de ser cai-cai, agora acusam-no de “levar faltas”. Tudo bem, quem conhece um pouco de futebol sabe que o atacante pode chamar faltas e trabalhar com essa possibilidade, mas é no mínimo estranho que se acuse apenas o atacante e não mostre que o jogador foi simplesmente caçado em campo, tendo sido o que mais levou faltas no primeira rodada da Copa. Não é possível falar que a culpa é de Neymar “segurar a bola” e não citar sequer a violência que o levou a se contundir.

Ainda sobre o que diz o colunista, a ideia de que o jogador prende a bola em demasia revela uma incompreensão do próprio esquema montado por Tite e que fez falta no jogo contra a Suíça. A habilidade e imprevisibilidade de Neymar, que o colunista chama “prender a bola”, serve não apenas para liberar a marcação dos atacantes de frente do Brasil. Foi isso também o que aconteceu no primeiro gol contra a Sérvia. Todo mundo deveria saber que as seleções que jogam contra o Brasil jogam muito fechadas e com uma marcação muito dura. Uma das funções de Neymar é liberar essa marcação, ou seja, uma função importantíssima.

Depois de tudo isso, fica claro o que falamos no início desta matéria. O problema não é por que defender Neymar, mas por que tanta preocupação em falar mal de um jogador de futebol.

Ricardo Nêggo Tom, inclusive, ignora a realidade e afirma que “a infantilização de Neymar conta com a validação de boa parte da imprensa esportiva brasileira, que insiste em trata-lo como um menino aos 30 anos de idade”. Será que ele não acompanha a imprensa, tanto esportiva como a geral? Basta ler a Folha de S. Paulo e assistir aos programas de mesa redonda para saber que as críticas são muito mais volumosas do que os elogios, que estes são comedidos, enquanto que aquelas são furiosas.

Sobrou até para Raphinha, que é apedrejado por defender seu colega de time. Chamado de “idólatra” de Neymar por Gilvandro Filho e de “vassalo” e “bobo da corte” por Nêggo Tom. Isso porque Raphinha disse que Neymar não merecia ter nascido no Brasil, no sentido de que brasileiros como esses dois colunistas e nossa imprensa venal não merecem um craque como Neymar. O jogador está certo, Neymar e o futebol brasileiro, em geral, não merecem uma imprensa que vive para depreciar o nosso maior patrimônio.

Outro colunista, Diego Ricoy, no dia 28, chama Neymar de “um projeto de ídolo fracassado”. Na linha de Gilvandro, ele afirma que Neymar não se comporta adequadamente. Os ataques são sempre nessa linha.

Sobre o futebol, muitos reconhecem o craque, outros fecham os olhos para não admitir. Mas os argumentos, em geral, são sempre sobre coisas de fora do futebol.

Neymar pode não ser um consenso, afinal, seria impossível.

Mas não dá para negar que seja ídolo, ao menos para a maior parte do povo que não está preocupado com a politicagem da imprensa e da esquerda pequeno-burguesa nacional.

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