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Pegasus

O envolvimento do governo dos EUA no escândalo de espionagem

Diversos agentes norte-americanos têm ligações diretas com a empresa que espionou jornalistas pelo mundo


(*) Por Adriana Machado, correspondente em Nova Iorque

No dia 2 de março de 2017, Cecilio Pineda Birto deitou-se em uma rede para um pequeno descanso depois de deixar seu carro num lava jato na cidade de Altamirano, em Guerrero, no México. A cidade, rodeada por plantações de papoula para a produção de heroína, fica em uma região conturbada pelo tráfico de drogas e disputas políticas. Pineda era fundador do órgão de imprensa independente La Voz de Tierra Caliente, e sabia bem dos perigos da sua profissão naquele país, onde o número de assassinatos de jornalistas é altíssimo e crescente. Ele sofria ameaças regulares e já havia sobrevivido a um ataque de pistoleiros em casa em 2015. Numa entrevista com um órgão de proteção a jornalistas, que aconselhou Cecilio a mudar de cidade, ele havia declarado: “Eu não acho que precise me mudar. Eu mudei onde estou dormindo. Eu não deixo meu carro na rua. Eles não sabem onde estou. As pessoas que querem me machucar e que podem enviar pistoleiros para me matar, não seriam capazes de me encontrar porque estou me movimentando o tempo todo.” 

Depois de ligar para sua mãe, enquanto planejava com companheiros o que faria naquela noite, um homem armado chegou em uma motocicleta, foi a pé até a rede onde ele estava deitado, que ficava fora da vista da rua, e atirou, pelo menos seis vezes. Ele morreu dos ferimentos.

Esta semana foi revelado que o número de telefone profissional de Cecilio Pineda Birto havia sido selecionado para vigilância por um cliente mexicano do Grupo NSO, pouco tempo antes do seu assassinato.

O Projeto Pegasus, anunciado por Edward Snowden como a notícia mais bombástica do ano, é uma investigação de 80 jornalistas de um consórcio de veículos de imprensa ligado à Anistia Internacional, que revelou o comércio de um sistema de espionagem digital entre a empresa israelense Grupo NSO e governos em todo o mundo. O sistema chamado Pegasus, que grampeia telefones celulares sem que o alvo precise dar nenhum clique, é anunciado como arma contra terroristas e criminosos, mas vem sendo usado para monitorar jornalistas, ativistas, oponentes políticos e dissidentes. 

Traços do sistema hacker também foram encontrados no celular de duas pessoas próximas ao jornalista Jamal Khashoggi, assassinado a mando do rei Mohammed bin Salman no Consulado Saudita em Istambul em 2018.

Segundo Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, a natureza do relacionamento entre o Grupo NSO e o governo de Israel, financiado pelo imperialismo, “é muito próxima e profunda”. A indústria de inteligência é uma indústria estratégica para o governo de Israel, e é também uma indústria regulamentada, já que todas as exportações da NSO são licenciadas pelo Estado de Israel. 

Na lista de países que usaram o grampo Israelense estão a Hungria, a Índia, o Marrocos, o Azerbaijão, e o México. Há suspeitas de que Bolsonaro tenha tentado levar o sistema para o Brasil. No México, mais de 20 jornalistas foram alvos de grampo, na Índia, mais de 40 jornalistas foram visados.

Os líderes mundiais na lista do Projeto Pegasus incluem o presidente francês Emmanuel Macron, o rei Mohammed do Marrocos, o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, o presidente iraquiano Barham Salih e o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

A lista de americanos em Washington que se beneficiaram trabalhando diretamente para os hackers israelenses da NSO é longa. Dan Shapiro, ex-embaixador de Barack Obama em Israel, começou a aconselhar de forma independente a NSO em meados de 2017, e assessorou a empresa até o final de 2018. Ele participou da estratégia de campanha de Joe Biden em 2020, e agora está sendo considerado como enviado especial do presidente Biden ao Oriente Médio.

A consultoria Beacon Global Strategies – fundada pelo ex-funcionário da CIA e conselheiro de longa data de Hillary Clinton, Andrew Shapiro, e o ex-empregado do Pentágono Jeremy Bash, também foram contratados pela NSO. 

O advogado Dan Jacobson prestou serviços jurídicos à empresa matriz da NSO e ingressou na administração Biden este ano, como conselheiro geral do Escritório de Administração. 

Jeh Johnson, secretário de segurança interna de Obama que concorreu para ser secretário de defesa de Biden, foi contratado pela empresa matriz da NSA para revisar a Política de Direitos Humanos da empresa e a aprovou. 

A atual integrante da Casa Branca, conselheira sênior de Biden, Anita Dunn, disse em 2019, que a diferença entre a NSO e muitas outras empresas de tecnologia cibernética é “seu compromisso com uma estrutura de negócios éticos”.

A NSO disse que a venda do Pegasus é controlada, que ela escrutina seus clientes e vende o Pegasus apenas para “agências governamentais examinadas”. 

A empresa comemorou o Dia Mundial da Privacidade de Dados em janeiro nas redes sociais: “No Grupo NSO, nos comprometemos com altos padrões éticos de negócios ao incorporar proteções aos direitos humanos em todos os aspectos de nosso trabalho”.

Depois das revelações do Projeto Pegasus, que vazou uma lista de milhares de possíveis alvos dos grampos, a NSO disse que não pode ser ligada aos assassinatos dos jornalistas através da absurda declaração: “O Grupo NSO tem boas razões para acreditar que esta lista de ‘milhares de números de telefone’ não é uma lista de números visados ​​por governos que usam Pegasus, mas em vez disso, pode ser parte de uma lista maior de números, usados ​​pelos cliente do Grupo NSO para outros fins”.

Nos Estados Unidos, que financiam empresas estratégicas e de armamento em Israel com bilhões de dólares, a notícia causou alarme na imprensa. A NSO disse que é “tecnologicamente impossível” espionar números de telefone americanos – o que Edward Snowden caracterizou como uma mentira descarada.

Com as notícias sobre o fantástico Pegasus, a misteriosa e mirabolante operação de assassinato do presidente do Haiti por mercenários Colombianos, e as mentiras da imprensa burguesa sobre as manifestações gusanas para desestabilizar o governo de Cuba, devemos ficar bastante atentos aos meios escusos usados pelo imperialismo para dominar a região. A pressão pela candidatura de Lula, e o esforço para levar um número cada vez maior de trabalhadores às manifestações de rua são imprescindíveis na luta de resistência contra os prováveis sórdidos golpes do imperialismo no próximo momento extremamente crítico no Brasil até as eleições. 

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