O banco Bradesco, seguindo o exemplo de grandes empresas como a Amazon e Magazine Luiza, atualizou sua assistente de voz para que responda de maneira mais firme mensagens machistas ou de assédio proferidas por clientes ao usar a plataforma para consultar seu saldo ou pagar contas.
A ideia veio da campanha da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) “Hey, atualize minha voz”, um movimento contra o preconceito de gênero e o assédio sexual dirigido às Inteligências Artificiais.
A campanha da “Bia do Bradesco” já está circulando nas redes sociais e na televisão, segundo o banco:
“Mudamos as respostas da BIA para que ela reaja de forma justa e firme contra o assédio. Sem meias palavras. Sem submissão. Porque, se queremos construir um futuro com mais respeito, precisamos dar o exemplo AGORA”
Aqui no Brasil a agência responsável pela campanha é a Publicis Brasil, que atende grandes empresas como Nestlé e Carrefour, e no papel, o objetivo é lutar contra o preconceito de gênero e o assédio sexual as robos. A campanha na realidade não muda nada a situação da mulher, e não passa de pura demagogia das grandes empresas capitalistas do Brasil e do mundo. Já é moda agora grandes empresas capitalistas e a imprensa burguesa fazerem uma demagogia barata em defesa das mulheres, negros e homossexuais e vários setores da esquerda aplaudirem de pé essas iniciativas farsescas.

A campanha não passa de um circo. Bradesco, Amazon, Google e Apple são grandes empresas capitalistas, conhecidas internacionalmente por explorar a classe trabalhadora, e consequentemente as mulheres. Em primeiro lugar, em nenhuma delas uma mulher trabalhadora tem seu salário equiparado ao dos homens. O caso do Bradesco é ainda pior, enquanto investe em uma propaganda demagógica sobre respeito às mulheres, com suas funcionárias o banco não se importa.
A secretária geral do sindicato dos bancários e financiários de Curitiba e funcionária do Bradesco, Cristiane Zacarias, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, afirmou:
“Dentro do banco a gente vê muitos problemas que são divergentes com a postura que o banco quer demonstrar nessa propaganda. São denúncias de assédio rotineiras”.
No mundo da propaganda, de fato, vale tudo. Mas na realidade, as coisas são bem diferentes.
O Bradesco foi condenado em 2007 a indenizar uma ex-funcionário por assédio sexual praticado por um gerente da agência em que ela trabalhava. Na época, o banco entrou com um recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST), argumentando que “assédio sexual implica em importunação séria, grave e ofensiva, e não em ‘simples gracejos ou paqueras'”.
Em 2019, o Bradesco foi acusado e advertido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de assédio moral entre seus empregados. Para o banco, se um funcionário entregar dinheiro em caso de ser vítima de assalto ou sequestro, estará sujeito a demissão. Ou, caso alguns funcionários não batessem a meta de vendas eram impedidos de sair da agência mesmo após o horário do expediente.
Em entrevista ao mesmo jornal, Jaqueline dos Santos, ex-trabalhadora do banco, disse:
“O Bradesco é muito agressivo e não tem nenhum tipo de escrúpulo.”
Ela conta que durante a pandemia a situação piorou, pois as pessoas que estão em home office supostamente teriam que trabalhar em dobro. Jaqueline alega que trabalhou por sete anos como gerente, sem receber remuneração compatível com a função. Ela foi demitida em 2018. Jaqueline ainda acusa a empresa de demitir funcionários que apresentam atestado médico.
Enquanto a Amazon empodera seu robô Alexa, a grande empresa capitalista a ex-funcionária de um depósito da empresa na Califórnia (EUA), Lovenia Scott, processou a companhia por não permitir que os trabalhadores fizessem intervalos para almoço, e descanso, apesar de continuar descontando essas pausas dos salários dos trabalhadores.
Na empresa Magazine Luiza, uma vendedora, que trabalhou na empresa de 2007 a 2016, em Belo Horizonte (MG), relatou que era tirado do salário dela cerca de R$300,00 por mês por inadimplência do cliente.
Esses são apenas alguns exemplos de exploração e assédio que essas grandes empresas, que hoje pregam uma igualdade e respeito entre com as mulheres, fazem contra essas mesmas mulheres dia-a-dia. Se formos fazer uma enquete nas redes-sociais, mais casos como esses, e até piores poderão vir à tona. A luta contra a exploração e o assédio é para defender robôs, as mulheres trabalhadoras ficam de fora da campanha.
O empoderamento da Bia do Bradesco não resolve nada, não muda um milímetro na situação das mulheres. Trata-se de uma maquiagem que o regime torturador das mulheres possam disfarçar o que ele realmente faz, que é oprimir a população. Essa maquiagem, ou seja, o identitarismo, a tentativa de se mostrar mais humano nos comerciais, nos aplicativos, na diretoria, é resultado de uma política da própria esquerda, à reboque do imperialismo, que busca se adaptar ao regime, não alterar a relação de forças, não lutar pelo poder, não organizar as mulheres em torno de suas reivindicações.




