Fraude eleitoral

Ditadura fraudou apuração eletrônica contra eleição de Brizola

Histórico de fraude e manipulação põe abaixo toda ingenuidade da certeza de lisura no processo eleitoral

As eleições no Brasil, realizadas desde o século XVI, sempre foram fraudadas ou manipuladas. Elas são comandadas pelas classes dominantes, que maquiam todo o processo para consolidar a falsa imagem de lisura. Nunca foram democráticas, pois têm uma história de exclusão de vários segmentos de eleitores, nem tampouco isentas de fraudes, tanto no período colonial quanto no monárquico e republicano. Os exemplos estão aí em todos os períodos históricos das eleições, sejam elas de forma impressa ou digital. O caso Proconsult nas eleições de 1982, na qual Leonel Brizola disputava o governo do Estado do Rio de Janeiro, é mais uma prova que qualquer eleição no Brasil, ou no exterior, pode ser, sim, fraudada ou manipulada. Para evitar ou diminuir as fraudes, quanto mais auditoria houver com relação a esse processo, melhor. Voto impresso ou mais auditoria é uma reivindicação democrática, mesmo que solicitada por um fascista, amante da ditadura, como Bolsonaro.

Em 1982, ano da primeira eleição direta no período final da ditadura, a empresa Proconsult, contratado pelo TRE, fez um sistema informatizado de apuração dos votos nas eleições para o governo do Rio de Janeiro. A empresa era associada a apoiadores do regime militar, que queria que o candidato Moreira Franco(PDS, antiga ARENA) fosse o vencedor do pleito. No restante do país era a estatal Serpro quem apurava os resultados, os quais foram apurados bem mais rápido do que a tumultuada apuração da Proconsult. O sistema desta empresa transferiu os votos nulos ou em branco para Moreira Franco. A tática fraudulenta fora facilitada devido ao ato índice de votos nulos e brancos ocasionado por uma esdrúxula regra eleitoral que exigia que todos os votos para os candidatos a governador, senador, deputado, prefeito e vereador fossem do mesmo partido, casados, regra que logicamente faria chover votos nulos. A Proconsult já sabia para quem iria essa grande quantidade de votos, o que acabou ocorrendo. O PDT de Leonel Brizola contratou uma empresa, a Sysin Sistemas e Serviços de Informática, para apurar as eleições, cujos resultados divergiram dos resultados oficiais. A Rádio Jornal do Brasil também checou resultados divergentes. Roberto Marinho, dono da Rede Globo, fora acusado de participar do esquema para impedir seu rival Brizola de chegar ao poder no Estado.

A fraude foi extensamente documentada pelos jornalistas Paulo Henrique Amorim e Maria Helena Passos, autores do livro “PLIM-PLIM: a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral”. O Jornal do Brasil, concorrente da Globo, também denunciou bastante a fraude, sobre a qual o inglês Simon Hartog fez um documentário chamado Beyond Cittizen Kane, de 1993, uma alusão ao filme Cidadão Kane, obra-prima de Orson Welles que conta a história de um magnata da imprensa. O documentário inglês, censurado e nunca exibido no país,  denunciava o papel de Roberto Marinho e da Globo na manipulação da política e sociedade brasileiras. A Rede Globo alega nunca ter contratado a Proconsult, mas não precisava, pois as ligações dos marinhos com o regime militar, sempre disposto a sabotar, assassinar e manipular, eram grandes. Leonel Brizola era na época um ferrenho opositor dos militares e da Rede Globo.

Recentemente, a extrema-direita oportunista e fascista, capitaneada pelo ilegítimo presidente Bolsonaro(sem partido), propôs eleições com voto impresso aliado ao digital, alegando a facilitação de uma auditoria nas urnas eletrônicas, funcionado no país desde as eleições de 1996. Mesmo sabendo das segundas intenções do presidente, que não quer auditar coisa alguma, apenas confundir a população e incitar seus eleitores mais radicais, todos os que se dizem democráticos deveriam concordar com a reivindicação, para afastar qualquer suspeita, mesmo esse tipo de auditoria não ser uma garantia segura diante de tantos golpistas e burgueses nos tribunais eleitorais. Os mesmos órgãos que manipularam as eleições de 2018 – que alçou ilegalmente Bolsonaro ao poder e deixou Lula inelegível, sem poder se candidatar como permitia a legislação eleitoral, criada pelos próprios golpistas – podem manipular e fraudar qualquer eleição, sobretudo essa de 2022, que polarizará cada vez mais o país diante da crise do regime golpista implantado com o golpe de 2016.

Todos os órgãos da república brasileira estão dispostos a fraudar e manipular tudo o que for possível para não perder o poder. Os membros dos tribunais saem das classes burguesas, que encarceram diariamente o povo, o violentam e impedem seu  acesso à educação, saúde e ascensão social. Quem manipulou a eleição de 2018 pode vir a manipular ou fraudar novamente outra a qualquer momento. Se for preciso roubar as eleições para favorecer a burguesia, todos esses órgãos o farão, de maneira explícita, implícita, sorrateiramente e com muita demagogia e hipocrisia.

A esquerda pequeno-burguesa, ao não questionar esse sistema eleitoral, faz apologia a ele, que é contra o povo e a favor dessa democracia burguesa, cada vez mais injusta, reacionária e autoritária.

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