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Marilia Garcia

Membro da Direção Nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

Partido revolucionário

A grande calúnia

O PCO não pode mais ser ignorado


No ano de 1917, um partido de esquerda era fortemente atacado contra suas posições. Mas do que isso, era caluniado por coisas que sequer havia feito. Um de seus líderes, o principal, sofria a acusação de conexões com o Estado maior da Alemanha pré-nazista. O anúncio feito no tribunal da Tauride estupefou os companheiros de primeira viagem. Apenas os mais antigos sabiam que a história era inverossímil. Os acusadores prometeram mais documentos que comprovassem a acusação. O que fazer em uma momento como esses?

A história contada acima é real, a figura caluniada, o próprio Lênin, do partido bolchevique. Meses antes da revolução de outubro, ocorreu o chamado “mês da grande calúnia”. Logo após o retorno do maior líder do partido bolchevique à Rússia, as posições do partido bolchevique se modificaram bruscamente em favor de uma política contrária aos acordos com os partidos burgueses da época. O partido Cadete, um PSDB, estava no poder com as bênção dos mencheviques, dos socialistas revolucionários e, antes da vinda de Lenin, da própria ala russa do partido bolchevique.

A vinda de Lênin causou grande agitação, principalmente pela carona pouco comum tomada de um trem blindado alemão em plena primeira guerra mundial. Na situação, a oposição entre os Estados russo e o alemão já tinha sido origem da intensa campanha contra a Czarina russa, a qual supostamente tinha ligações com a Alemanha. Logo, o acordo de Lênin com o governo alemão seria uma arma ainda mais virulenta da burguesia russa contra os novos bolcheviques.

Importante dizer nesse momento é que o acordo de Lênin com o Estado alemão passou por uma clausula fundamental que dizia: “Vocês me deixam chegar na Rússia, eu faço a revolução proletária e tiro a Rússia da guerra”. A saída da guerra era um dos fundamentos principais dos três pilares que então seriam levantados pelos bolcheviques: “Paz, pão e terra”.

No mês da grande calúnia, o crescimento do partido bolchevique com a sua politica de reforma agrária, saída da guerra e revolução socialista era estrondosa. Nessa situação, os setores da esquerda pequeno-burguesa que haviam prometido a terra aos camponeses na revolução de fevereiro, já estavam desmoralizados perante o campesinato. Fato é que os principais quadros dos soldados russos eram camponeses, os quais também tinham escutado as promessas vãs do fim da guerra com a revolução de fevereiro. A fome, ente interminável da crise, era a mais presente.

Foi nessa situação que o partido bolchevique passou do mês da grande calúnia para o mês da revolução socialista. Os caluniadores, desesperados pela popularidade das posições de Lênin, mal sabiam que o principal da luta politica eram a polêmica rigorosa e a posição intransigente tomada pelo partido que seria o líder da revolução. Nesses termos, o partido saiu de poucas centenas de militantes para diversos milhares.

Mais de cem anos após 1917, em 2021, o partido revolucionário continua sendo alvo de intensas calúnias tanto pela esquerda pequeno-burguesa quanto pela direita. As acusações diversas, nesse sentido, são as das mais variadas. Nos últimos meses, essa campanha vem ganhando uma intensidade sem par para a história do partido.

A defesa da liberdade de expressão, a luta contra o PSDB nos atos, a defesa do voto auditável, a contrariedade a prisão politicas como a de Roberto Jefferson, a defesa da revolução no Afeganistão dirigida pelo Talibã. Tudo isso, causou uma grande discussão tanto na esquerda, quanto na própria imprensa burguesa. Fotos e matérias sobre o PCO foram postados na Folha de S. Paulo, Estadão, G1, Rede TV, dentre outros órgão de imprensa.

A esquerda também produziu uma série de ataques de ataque ao PCO. A publicação de Renato Rovai na revista Fórum, por exemplo, mostrou o tom baixo das calúnias: a acusação foi de furto de celular e de agressão de mulher por parte do Partido. A mesma série baixa de calúnias ocorreram nesse último ato do dia sete de setembro, no qual uma moça do PCdoB acusou o partido de tê-la agredido.

Fato é que, apesar de o Brasil não estar em uma situação revolucionária como se encontrava a Rússia em 1917, a situação está marcada por um deslocamento a direita da esquerda pequeno-burguesa diante de um cenário de crise social e politica muito grande. Nessa situação, o crescimento da polarização politica, com o fortalecimento da extrema-direita e da esquerda revolucionária, marca um período de intensificação dos choques entre a burguesia e o povo.

A posição da esquerda diante de problemas fundamentais como a questão da autodeterminação dos povos no caso do Afeganistão, quando houve setores que afirmaram “ser melhor a dominação dos EUA ao governo do Talibã”. A negação do voto auditável pelo simples fato de o Bolsonaro defende-lo. O apoio as prisões politicas de pessoas por razão de suas declarações, como no caso do Roberto Jefferson. A defesa de Dória e do PSDB nos atos, realizando reuniões na sede tucana, formando blocos com a direita, vestindo o verde-amarelo em detrimento do vermelho.

Tudo isso, mostra o forte atrelamento da esquerda pequeno-burguesa com a própria politica burguesa e imperialista. Atrelação essa que leva a esquerda ligada ao centro politico a mesma crise sofrida pela burguesia dita democrática com a polarização politica. Quer dizer no momento em que há um crescimento dos polos políticos, o centro toma medidas desesperadas para se sustentar.

É preciso colocar, por fim, que, a exemplo da ação do Partido Bolchevique, a ação do PCO sempre será coerente com os seus princípios. Essa é a característica pela qual o crescimento do partido revolucionário do Brasil tem surtido tantos efeitos que não é mais possível ignorá-lo.

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