Vahan Agopyan, reitor da Universidade de São Paulo, afirmou, na última semana, que as aulas da instituição serão transmitidas de forma remota pelo segundo semestre de 2020. Em entrevista ao jornal Bom Dia São Paulo, o docente alegou que a posição pode ser revista caso haja alguma mudança expressiva nas condições epidemiológicas. Entretanto, aproveitou a oportunidade para valorizar a suposta das aulas à distância, defendendo a produtividade e o caráter democrático dessa modalidade “estepe” de ensino.
Fica evidente que as informações trazidas pelo reitor fazem parte de um ataque a própria estrutura universitária. O interesse da burguesia em instrumentalizar a pandemia para destruir a vida do povo passa por diversas áreas. Relações trabalhistas, liberdade de expressão, de manifestação e, como não poderia deixar de ser, a educação. Sob o pretexto de salvaguardar a vida dos alunos e funcionários, o EAD (ensino à distância) foi empurrado goela abaixo de todos. Em um primeiro momento a medida se justificava – ainda que em partes – para que os alunos pudessem completar o semestre já iniciado. Entretanto, com a chegada do novo semestre, nada justifica que as aulas não sejam suspensas e o calendário readequado para voltar quando a pandemia arrefecer.
A informação trazida pelo reitor da USP é ainda mais grave quando levado em conta que outras universidades públicas paulistas seguem o mesmo rumo. Além disso, escolas, faculdades e centros de ensino públicos e privados seguem o mesmo caminho de sucateamento. A instituição do EAD como política geral só serve aos grandes empresários. Por um lado, cria uma enorme demanda por serviços dos capitalistas das telecomunicações. Por outro, aumenta a margem de lucro dos tubarões do ensino privado. Professores, por sua vez, tem seus salários achatados e a grande maioria dos alunos, sobretudo os carentes, tem seu acesso à educação ainda mais vilipendiado.
É dever das organizações discentes denunciar e exigir um combate adequado ao problema. Sem a luta estudantil, a pandemia abrirá espaço para que um antigo sonho da burguesia se realize: o sucateamento total de todo o sistema nacional de ensino, com o desmonte do espaços físicos e a transformação dos professores em meros curadores de conteúdo online.





