Ao fim do ano de 2019 a Uber possuía 26.900 funcionários que trabalhavam em funções administrativas. Duas semanas atrás houve a demissão de 3.700 pessoas. Elas foram informadas no dia anterior em uma reunião virtual.
Esta semana, em comunicado enviado por e-mail, o CEO da companhia demitiu cerca de 3.000 trabalhadores no mundo todo. “Para aqueles de vocês pessoalmente impactados, eu realmente sinto muito. Eu sei que isso vai causar dor para vocês e seus familiares, especialmente agora”, disse Khosrowshahi, em e-mail que foi divulgado na imprensa burguesa.
Em resposta à Business Insider, um porta-voz da empresa disse: “Como seria de esperar, a empresa está analisando todos os cenários possíveis para garantir que chegamos ao outro lado da crise em uma posição mais forte do que nunca”.
Já ficou claro que o sentido de “chegar do outro lado (…) em uma posição mais forte” quer dizer eliminar trabalho e renda de milhares de pessoas. A necessidade das pessoas não é sequer mencionada nas discussões da burguesia para sair da crise da pandemia. Se os lucros diminuem, simples, corta-se a folha de pagamento sem cerimônia alguma.
Todos sabem que trabalhadores em empresas como Uber e Ifood não possuem estabilidade, direitos trabalhistas ou salário mínimo. Pagam 25% dos ganhos no caso da Uber. Muitos trabalham 16 horas diárias para poderem ter uma renda minimamente aceitável. Motoristas se endividaram comprando carros ou alugando o veículo de alguém para poderem trabalhar, o que faz a renda cair bruscamente. A ilusão capitalista que foi propagandeada por empresas desse tipo de “Seja você mesmo seu próprio patrão” agora já ficou clara.
A ilusão total e completa vai aparecendo quando o trabalhador pobre e informal vê-se numa situação de doença ou de dívida com o carro comprado. Ocorre também de prefeituras pelo país dificultarem o “empreendedor” com taxas, licenciamentos, vistorias e proibições diversas. Quando a dificuldade aparece, o trabalhador que caiu no canto da sereia neoliberal do “faça você mesmo”, “você pode ser o que quiser”, “seja livre, faça seu horário”, percebe que está sozinho e desamparado diante de capitalistas vorazes que sentam em números e não querem ter que se preocupar com a classe operária, apenas engana-la.
Diante dessa situação é necessária uma campanha por parte da CUT para organizar esses trabalhadores em sindicato. No momento, esses trabalhadores estão a mercê da própria sorte somente contando com o seu trabalho imediato. É preciso organizar a categoria para cobrar todos os direitos trabalhistas. Com uma atuação conjunta de todos os trabalhadores em sindicato. Só assim a luta será forte o suficiente para a garantia de todos os direitos.





