Numa demonstração latente da loucura cometida pelos sindicatos e partidos de esquerda ao transferir o campo das lutas políticas, tiradas das mobilizações de massas para os tribunais, os sacripantas do Supremo Tribunal Federal deram o aval do setor judicial da burocracia a respeito do decreto que prevê um esmagamento da classe trabalhadora, como todas as pessoas em pleno gozo das faculdades mentais esperavam, exceto os sapientes formuladores das táticas geniais da esquerda pequeno burguesa.
Na plenária que deliberou posição contrária a liminar que suspendia os efeitos da Medida Provisória 936, os ministros usaram as mais variadas formas de verborragia no embasamento de seus respectivos votos, comprovando que desculpa esfarrapada para justificar qualquer sorte de atrocidade, sempre haverá.
A derrota sofrida pela classe trabalhadora brasileira é resultado de um longo processo de esvaziamento da luta política, onde os trabalhadores foram habituados a confiar na burocracia judicial e entender como luta a mera proposição de recursos para apreciação de um burocrata togado, um serviçal da burguesia dedicado a fazer exatamente o que os ministros do STF acabaram de fazer.
Desde o golpe de 2016, estava claro que a direita buscava impor exatamente a negociação individual posta na MP. Os sindicatos, num extremo de loucura, aderiram de maneira acrítica a política defendida pelo imperialismo, o famoso “fica em casa”, fechando as portas e deixando os trabalhadores a mercê dos patrões. O delírio das direções sindicais cobra seu preço agora, com a virtual destruição destes, num movimento muito mais agressivo do que o realizado durante a ditadura militar do século passado. Com o cancelamento da liminar, fica claro, mais uma vez, que os trabalhadores não podem esperar absolutamente nada exceto ataques vindo de toda a máquina política do Estado brasileiro.
Se apenas os sindicalistas sofressem com a MP, poderíamos nos limitar a dizer “avisamos” mas a realidade é ruim o bastante para sermos obrigados a passar por cima desta vontade. A negociação individual, obviamente, se trata de um brutal ataque contra a classe trabalhadora, reduzindo as relações de trabalho a um período anterior, inclusive, às incipientes organizações dedicadas a libertar escravos no final do século 18. É uma obviedade, querer colocar numa mesma mesa presa e predador é uma farsa, não há negociação possível, especialmente no nível individual. Fosse minimamente interessante aos trabalhadores, não estaria sendo defendida pelos seus inimigos mortais: a burguesia. Não apenas este mas todo o pacote de castração das conquistas históricas do movimento operário brasileiro vão sendo aceleradamente atropelados pela decadente classe burguesa, detentora dos meios de produção e do Estado, o que obviamente inclui toda a burocracia governamental, eleita ou não.
Por tudo isto, a tarefa histórica dos trabalhadores reside em abandonar definitivamente qualquer ilusão quanto a natureza mortífera do Estado. Toda aparência de racionalidade nada mais é do que um engodo, o governo brasileiro, em todos os níveis da administração pública, se converteu numa ameaça mortal ao amplo conjunto da classe trabalhadora e precisa ser combatido por uma mobilização radical dos trabalhadores, de modo a organizar a luta que se impõe, de maneira coletiva e disciplinada, e que se torna mais urgente conforme a crise impulsionada pelo coronavírus, longe de atenuar, acentua de maneira dramática o caráter mortal do governo e da burguesia contra os operários.





