O sistema de transporte público opera com com frota reduzida de ônibus por tempo indeterminado em Santo André, no ABC Paulista, desde segunda-feira (16). A redução ocorre diante a dispensa dos motoristas com mais de 60 anos como forma de proteção ao risco de Coronavírus, já que estes fazem parte do grupo de risco à doença.
A decisão causa a superlotação dos veículos em circulação, pois as pessoas continuarão a necessitar do transporte público. Mesmo que haja restrições e diminuição de algumas atividades, principalmente aquelas referentes à serviços públicos, milhares de pessoas diariamente necessitam saírem de suas casas para trabalhar, em especial os trabalhadores informais que não gozam das garantias trabalhistas retiradas na reforma trabalhista dos golpistas. São aproximadamente 50 milhões de trabalhadores informais, os ditos empreendedores, que saem diariamente de suas casas em busca do pão de cada dia.
É necessário o aumento da frota para que as pessoas não fiquem amontoadas nos longos trajetos percorridos pelos ônibus de transporte público aumentando assim o risco de contaminação da população.
A situação crítica se agrava, uma vez que desde 2013 a frota de ônibus da capital paulista vem sendo reduzida constantemente. Naquele ano, havia 15.025 veículos operando na cidade. Em 2018 eram 14.458. Em 2018 foram extintas 149 linhas de ônibus na grande São Paulo. Desde o início da gestão do ex-prefeito e atual governador paulista, João Doria, do qual o atual prefeito Bruno Covas era vice, foram extintas ou alteradas mais de cem linhas, e divulgada a intenção retirar 1000 ônibus de circulação.
A expansão do Coronavírus deve ser enfrentada com medidas que verdadeiramente protejam a população, como a testagem de toda a população e não apenas aquelas que apresentem sintomas da doença, com distribuição gratuita de álcool gel em todos as unidades de saúde e com acesso universal ao sistema de saúde .
A diminuição da frota por medida de proteção aos funcionários, não serve por justificativa, pois diante da crise econômica que se assola o Brasil e o mundo capitalista, não faltam trabalhadores desempregados para substituir mesmo que temporariamente aqueles afastados. Fato é que ninguém deveria trabalhar sendo exposto ao vírus, menos ainda motoristas e cobradores.
Ninguém pode estimar por quanto tempo durará o risco do Coronavírus, nem se outras epidemias virão. O que podemos tem certeza é que com medidas como estas o trabalhador brasileiro terá que escolher se arrisca a vida podendo pegar a doença no transporte público ou se espera e arrisca morrer de fome em casa sem trabalhar.



