Nesta última terça-feira (17), o governador do estado de Santa Catarina e militar dos bombeiros, Carlos Moisés do PSL, anunciou um decreto responsável por paralisar todo o estado devido à proliferação do coronavírus na região.
Em Santa Catarina os números oficiais do governo federal indicam 7 casos de contaminação. No entanto, de acordo com o próprio governo catarinense este número é maior. Além disso, o mesmo governo está observando outros 220 casos de coronavírus no estado.
Com o anúncio de que na região sul de Santa Catarina, o vírus havia já adquirido uma característica comunitária, ou seja, de quando não é mais possível identificar sua origem, o governo decidiu por baixar sob a população um rigoroso decreto, que fecha estabelecimentos, controla a vida social do cidadão, e acima de tudo, impede qualquer ação política.
Do decreto às promessas do governo
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Decretado neste terça-feira (17), o estado de emergência imposto no estado de Santa Catarina começou a já no dia seguinte a alterar toda a vida do cidadão catarinense.
Com o espalhar do coronavírus e a propaganda burguesa que responsabiliza o povo pela sua proliferação, a pequena-burguesia começou a entrar em pânico. Logo após, foi a vez do governo em ir proibindo pouco a pouco a circulação de pessoas.
Primeiramente, na semana anterior o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, já havia anunciado uma medida que proibia a concentração de mais de 250 pessoas em locais públicos e mais de 100 em eventos fechados. Esta medida surgiu justamente na semana que antecedia a greve-geral e os atos nacionais que estavam sendo programados na cidade.
Contudo, a mesma serviu apenas para reforçar o recuo da esquerda frente a mobilizações, pois a medida passaria a valer apenas na segunda-feira (16), incriminando o ato do dia 18 contra o governo Bolsonaro, mas permitindo que a extrema-direita saísse às ruas no dia anterior, domingo (15).
Um dia depois da medida em Florianópolis entrar em vigor, o governo de Santa Catarina aprofundou ainda mais o estado de repressão em cima da população. Entre as medidas novas que entraram em vigor, estão o fechamento do transporte público, cancelamento de todos os serviços públicos ditos não essenciais, fechamento da rodoviária, proibição total de qualquer concentração de pessoas em nível privado ou público e em qualquer número.
Ou seja, a proibição total de qualquer tipo de atividade política em todo estado. Com essa medida não é o coronavírus que é combatido, mas sim usado como pretexto para acabar com qualquer organização política em Santa Catarina.
As promessas no entanto são as mais maravilhosas. Supostamente tudo isso estaria feito em nome dos cidadãos, na luta contra a doença. Contudo, vale lembrar que nenhum projeto de construção de mais leitos ou qualquer alteração real na saúde pública foi feito em conjunto, mas sim aumentado e muito o número de policiais militares nas ruas do estado.
A realidade pós decreto: Repressão e fim de direitos democráticos

Com o início do decreto, toda a população de Santa Catarina viu seus planejamentos durante o próximo período virem por água abaixo. O governo havia anunciado que manteria os abrigos comunitários para moradores de rua assim como faria do dia seguinte pós decreto, um dia de “adaptação” a “nova vida” que a população catarinense viria a ter.
Porém, todos aqueles que ao verem o decreto que foi emitido terça-feira a noite e resolveram correr para a rodoviária na manhã seguinte com o intuito de retornar a suas casas, se depararam com algo absurdo: a rodoviária estava completamente fechada.
As pessoas que estavam chegando no estado durante o dia ainda estavam sendo permitidas de entrar, no entanto, aqueles que necessitavam sair de Florianópolis por exemplo, foram obrigadas a ficarem presas em solo catarinense sem qualquer projeção de mudança.
Não só isso, os moradores de rua foram dispersados, não se mantem mais nenhum abrigo na cidade e moradores de rua, desempregados ambulantes, são obrigados a viver na pura marginalidade, buscando ganhar algum trocado nos momentos em que a PM não está em volta.
Como se tudo isso não bastasse, aqueles que precisavam fazer novas diárias em Hotéis viram essa possibilidade estar suspensa. Apenas as diárias já existentes estão mantidas, e assim, sem como sair do estado a não ser temporariamente pelo caríssimo aeroporto, muitos ficam presos e desolados na principal cidade do estado.
Além disso, o dito dia de “adaptação” tornou-se em um dia de pura repressão. Com a PM sendo deslocada a formar patrulhas por todas as cidades, os pequenos comerciantes foram obrigados a fecharem pouco a pouco, enquanto em cidades como Palhoça, na grande Florianópolis, o povo eram dispersado pela polícia, sendo obrigado a ficar em casa.
Posteriormente, já no segundo dia de decreto, a repressão aumentou ainda mais, e muitos temem sair de suas casas. Obrigando assim, o desempregado ou trabalhador pobre a viver em um estado de marginalidade, indo trabalhar em uma cidade patrulhada pelos polícias.
Quando trata-se de medidas que de fato visam combater o vírus, não vemos nenhuma, contudo o governador de Santa Catarina viu nisso a oportunidade de instalar um estado ditatorial em toda Santa Catarina, proibindo a atividade política, e perseguindo o povo nas ruas.
Um mutirão de grandes contrastes

No mutirão realizado nesta quarta-feira por militantes do PCO e AJR foi visível a diferença para outros dias comuns. A principal estação de ônibus da capital, sempre lotada por um mar de gente, estava esvaziada. Nela, do público rotineiro restava apenas os trabalhadores mais pobres, ambulantes, mendigos e deficientes físicos.
O típico público pequeno-burguês que saia para universidade ou para trabalhar no funcionarismo público não se via presente. Assim, evidenciava-se que por fim, o isolamento em suas casas é um privilégios para poucos abastados. O povo pobre, esmagado pela sociedade, é obrigado a trabalhar em qualquer momento, pois precisa do dinheiro para sobreviver.
No trabalho de agitação e propaganda, os militantes perceberam uma irritação maior que o normal contra o governo Bolsonaro. “Enterrar é pouco” dizia uma, enquanto outro trabalhador disse que sairia mesmo na epidemia às ruas para tirar o fascista de lá.
Ficou claro assim, que abandonar às ruas nesse momento é abandonar justamente o povo trabalhador, a classe operária, resultando assim em uma política criminosa contra o próprio povo.
Por isso, fica evidente que para derrotar a ditadura que está sendo imposta em Santa Catarina, assim como todo Brasil, as organizações políticas, movimentos populares da esquerda, precisam mobilizar o povo para derrotar os golpistas. Fora Moisés! Fora Bolsonaro e todos os golpistas!



