Na linha de frente de combate contra o Covid19, os profissionais de saúde de todo o mundo são também, proporcionalmente, os que mais são infectados, e já aparecem entre os numerosos mortos pelo vírus. São milhares os infectados no mundo todo, e o número de mortes continua subindo entre eles.
De acordo com especialistas, parte da explicação para essa questão está na quantidade de vírus a que as equipes médicas são expostas. Uma vez que o vírus entra no corpo, ele invade as células e se replica. Essas cópias se acumulam durante os dias seguintes, o que faz o paciente ter mais e mais vírus dentro dele.
Mas esta exposição e contágio só se efetiva quando os profissionais da saúde ou não tem equipamentos de proteção – EPI, ou tem e a qualidade é ruim. Daí porque, a falta de acesso a esses equipamento fazem com que esse profissionais contraiam a doença.
Na França, os médicos entraram com ações contra o governo por — segundo eles — não terem conseguido aumentar a produção de máscaras e, portanto, colocá-los em perigo.
Médicos e enfermeiros do Zimbábue entraram em greve para protestar contra a falta de EPIs em um momento em que o país está em situação de emergência para tentar deter a propagação do vírus.
No Reino Unido, Neil Dickson, diretor executivo de uma organização de trabalhadores da saúde, diz que a falta de EPIs enfraqueceu a confiança dos médicos e enfermeiros.
Embora o governo britânico tenha começado a usar as forças armadas para distribuir milhões de máscaras aos profissionais da área médica, Dickson acredita que “levará algum tempo para reconstruir essa confiança”.
Sendo esses problemas recorrentes, à medida que aumentam os atendimentos de infectados nos hospitais e postos de saúde, também acontece o mesmo com os profissionais da saúde, que, expostos ao contágio pela escassez de material, não têm como se proteger do contágio.
Dados relacionados à epidemia de Sars ocorrida em 2002-2003 indicam que 21% dos infectados eram trabalhadores da saúde, segundo dados da OMS. Padrões semelhantes surgiram entre aqueles que cuidam de pacientes com Covid-19.
Na Itália e na Espanha, milhares de profissionais de saúde testaram positivo para coronavírus. No início de março, as autoridades chinesas estimaram que 3,3 mil profissionais de saúde haviam sido infectados.
Isso significa que entre 4% e 12% dos casos confirmados de coronavírus correspondem a trabalhadores de saúde.
A política do governo não mudou, continuam trabalhando com o mínimo de recursos que são insuficientes para isolar os infectados do restante da população. Dessa forma, e sabendo que a cada semana a população de infectados dobra, será difícil a resistência ao vírus sem profissionais da saúde, pois isso é o que acontecerá. Além de faltar equipamentos e insumos, também ficaremos sem a linha de frente para recepcionar e conduzir o atendimento nos hospitais e postos de saúde.
E assim vamos caminhando para o que já se desenha como o maior genocídio desse século praticado pelos golpistas que se preocupam mais em manter a sua margem de lucro e ignorar a falta de recursos para socorrer a população.




