A burguesia ligada ao capital financeiro está em dilema com o governo ilegítimo de Jair Bolsonaro. Ao que parece, a tentativa do presidente ilegítimo em adotar, por motivos puramente eleitorais, uma agenda assistencialista, através da extensão do auxílio emergencial e de outras políticas de mesma natureza, vai contra a política defendida pela burguesia e seu principal funcionário, Paulo Guedes.
Banqueiros e economistas, através de veículos da imprensa burguesa, tentam a empurrar a ideia de que Bolsonaro, ao fugir da política de ajuste fiscal, repete Dilma Rousseff e, portanto, cairá pela própria direita. Paulo Guedes afirmou, recentemente, que se Bolsonaro não mantiver os gastos controlados, segundo o teto de gastos, entrará em na zona de impeachment.
É necessário observar a situação com muita calma e de maneira bastante atenta. Primeiramente, Dilma, Lula e o PT, apesar dos acordos com a burguesia, nunca foram subservientes ao capital como Temer, Bolsonaro, FHC e outros. Colocar Dilma e Lula no mesmo nível dos demais é, em última instância, sectarismo e confusão política. Por mais que os dois tenham se apoiado em setores da burguesia, seus governos implementaram uma série de políticas que beneficiaram a população diretamente, tanto que isto motivou a perseguição a ambos e a seu partido.
Já com relação a Bolsonaro, este nunca foi o número um da burguesia. Pelo contrário, a burguesia teve de aceitá-lo para vencer o PT. Por isto, ela teve que ceder à extrema-direita fascista. Entretanto, o que ocorre agora é que esta extrema-direita, representada na figura de Bolsonaro, tenta utilizar a máquina do estado para expandir sua base popular, mesmo que isto contradiga a política burguesa em alguma medida.
Bolsonaro sabe muito bem que só se mantém no poder porque é o único nome à direita que possui alguma base social. Então, sua “equipe” e ele usarão a máquina pública para manter esta base social e, se possível, expandi-la através da demagogia natural do fascismo. Cabe aqui atenção a este ponto, pois as “políticas assistencialistas” de Bolsonaro não devem ser confundidas com as políticas dos governos do PT. Além de serem em menor escala, buscam apenas a manutenção pontual do governo fascista, dando-lhe tempo e recursos para aprofundar o regime antidemocrático.
A direita, a camarilha dos sem-voto, por sua vez, tenta, através da frente ampla com nomes da esquerda pequeno-burguesa, se armar contra Bolsonaro, porém buscando mantê-lo enquanto não consegue acabar com o lulismo. Fica claro, aí, a diferença entre Bolsonaro e Dilma. A burguesia prefere manter, mesmo a contragosto Bolsonaro, do que deixar o poder voltar ao PT. O retorno do poder ao PT significaria uma derrota, mesmo que não uma derrota total, do golpe de 2016.
É preciso deixar bem claro que trata-se de uma briga entre setores da direita. O que está em jogo é uma disputa pelo poder e método de expropriação da classe trabalhadora. O resultado, em parte, está pela falta de uma política correta da esquerda que, ao invés de mobilizar a classe trabalhadora, atém-se às regras da burguesia, extremamente antidemocráticas. Portanto, as organizações de esquerda, partidos, sindicatos, movimentos sociais e outros, devem organizar a classe trabalhadora para, nas ruas, derrotar não apenas Bolsonaro e os fascistas, mas a direita que o ajudou a eleger-se e, agora, tenta tomar o poder para si.



