Era "morra em casa" afinal

Pobres estão sem saída: morrem em casa e com a reabertura

Mesmo com estatísticas duvidosas, número de pessoas mortas em casa dobrou em relação a média dos últimos 5 anos. Política da direita é sempre contra a classe trabalhadora

Em mais uma demonstração muito evidente do drama imposto à classe trabalhadora pelo regime político diante da pandemia, a cidade de São Paulo registrou (oficialmente) 409 mortes ocorridas dentro das residências das vítimas, entre casos suspeitos e confirmados de contágio pelo coronavírus. Os números foram coletados entre o primeiro registro oficial da pandemia na cidade, 16 de março, até o dia 21 de maio, o que aponta para uma média superior a 6 óbitos por dia, mais do que o dobro em relação à média dos últimos 5 anos, que teve 2,8 mortes por dia em decorrência de doenças respiratórias.

A primeira coisa a ser destacada é que esses dados revelam o quanto estava errado o governador golpista de São Paulo ao afirmar que “o isolamento social é a única forma de evitar a explosão mortífera do vírus.” O que não faltam são elementos concretos para denunciar a farsa da política levada adiante pelos chamados “científicos”, o conjunto de políticos da direita formada pelo “centrão” que, dada a absoluta indiferença com a vida da classe trabalhadora, ignora completamente a ampla gama de necessidades históricas da população e que se tornaram ainda mais urgentes diante da emergência da pandemia.

Para suprir essas necessidades, seria necessário desde uma rede de instalações médicas e hospitalares dedicada a tratar os casos de contágio até coisas tão básicas quanto uma rede de esgoto tratada, para não proliferar ainda mais os contágios, acesso como água potável e insumos sanitários (máscara, álcool em gel e luvas). Mesmo algo tão elementar quanto alimentação transformou-se em um problema político ameaçador para os setores mais explorados da classe trabalhadora. E como fica claro, pela declaração do principal representante da outrora “direita civilizada”, nada disso importa realmente nem para Dória e nem para seu colega de partido, o prefeito Bruno Covas.

O segundo ponto a ser destacado é que, dada a farsa dessa política, fica claro que a “única medida” era, na verdade, uma tentativa de encobrir o descaso, produto da inércia interessada dos golpistas. Sabendo de antemão que nada de efetivo seria feito, a direita tratou de jogar para a população a responsabilidade de enfrentar o resultado da desastrada política de combate ao coronavírus enquanto fazia a classe trabalhadora amargar os resultados naturais da condução neoliberal da economia, que há anos vem promovendo uma rapina sem precedentes na riqueza nacional não deixando nada além de desemprego, miséria e fome para o povo brasileiro.

O cinismo ganha contornos ainda mais macabros quando observamos que justamente no momento em que o inverno chega e ameaça fazer explodir os casos de doenças respiratórias, em quantidade e letalidade, o governo paulista volta a se alinhar com o governo federal para impor a volta ao trabalho e a retomada das atividades econômicas não essenciais, em resposta à acentuada crise capitalista.

De caso pensado, a política do conjunto da direita é um crime contra a população, que nada tem a ganhar com a continuidade do regime político atual, seja qual setor da direita estiver no poder. Entre a morte pela praga, em casa ou no trabalho, a única saída viável, e que realmente atende à população, é a mobilização pelo “Fora Bolsonaro”.

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