O PCdoB publicou uma nota de sua direção nacional sobre a atual situação política no País. Segundo o partido, que é um dos mais fervorosos defensores da Frente Ampla com setores da direita golpista.
Na nota, intitulada, “Unir amplas forças para salvar o Brasil”, depois de fazer uma descrição da crise pelo mundo, o PCdoB afirma que é preciso uma “ampla conjugação de forças políticas e sociais” que “deve abranger todos os que se opõem ou têm contradições com o governo Bolsonaro. E adquire caráter de uma larga frente de salvação nacional”.
Quem seriam, portanto, esses setores com “contradições com o governo”? Trata-se aqui, logicamente, de diferentes alas da burguesia que, frente à impopularidade de Bolsonaro e diante das trapalhadas do governo em meio à crise aparecem com críticas públicas a Bolsonaro.
O PCdoB, no entanto, ignora o óbvio: que esses setores da burguesia, o chamado “centrão” tem fundamentalmente a mesma política do bolsonarismo. Nâo apenas porque esses setores, liderados por PSDB, DEM e MDB, foram a linha de frente do golpe de Estado e inclusive foram responsáveis e apoiadores da eleição fraudulenta de Bolsonaro, mas principalmente porque no que se refere à política de ataques ao povo eles mantêm a mesma política do governo.
A diferença no discurso que o PCdoB chama de “contradições” serve apenas para esconder que os governadores da direita, os parlamentares e todo o “centrão” preparam a mesma política de ataques ao povo, tanto no que diz respeito à crise econômica como no combate à pandemia.
O que o PCdoB interpreta como “contradições” não é nada mais, pelo menos até o presente momento, do que a mesma política do setor mais poderoso da burguesia de “domar” Bolsonaro e os bolsonaristas. Colocá-lo na linha.
Essa política de frente com os setores da direita golpista fica ainda mais clara quando a nota afirma que: “Numa hora em que o Brasil mais precisa de ação conjunta entre os Poderes, entre a União e os estados, uma vez mais atacou os governadores que, como podem, se desdobram para adotar as medidas que este cenário dramático exige.” O PCdoB acredita que os “poderes” do regime político, dominados pela direita seriam a saída para a crise.
Mais ainda, o PCdoB acredita que os governadores, João Doria, Witzel, Ronaldo Caiado etc, estão realmente realizando feitos para resolver a pandemia, ou nas palavras da nota, estão “se desdobrando”. Nada poderia ser mais falso.
É preciso ainda chamar a atenção para outro aspecto essencial da frente ampla defendida pelo PCdoB e que fica oculto. Tal política, caso se concretize, colocará a a esquerda a reboque da direita.
Seria uma ingenuidade – e no caso do PCdoB podemos afirmar ser pura má fé de um partido oportunista – acreditar que a direita golpista, organizou o golpe de 2016, fraudou as eleições de 2018 para de repente devolver o poder para a esquerda.
Dessa maneira ainda, o que propõe o PCdoB para as organizações dos trabalhadores é ficar a reboque da direita e da burguesia, como se ela tivesse algum interesse em resolver os problemas do povo.
E para provar que a política do PCdoB é colocar as massas a reboque da burguesia, o partido chama o povo para ficar em casa: “Devido à impossibilidade, momentânea, das formas normais de mobilização, passeatas e atos públicos, o coletivo militante deve intensificar a disputa política nas redes sociais, nos panelaços que se multiplicam e em outras iniciativas criativas e eficazes. É plenamente possível, por meios digitais, a ampla articulação de ações, conforme já vem ocorrendo, dos movimentos sociais, das centrais sindicais e das instituições democráticas da sociedade.”
A direita e seus partido se articulam e o povo fica em casa. Essa é a proposta, o resumo da ópera da frente ampla.
A nota termina com “basta de Bolsonaro” e não com “fora Bolsonaro”, o que mostra também que o PCdoB espera a decisão da burguesia se tira ou não Bolsonaro. Se isso não é ficar a reboque, o que mais seria?




