A decretação da Operação de Garantia de Lei e da Ordem (GLO), pelo presidente Jair Bolsonaro, no mês de maio, foi um pretexto para iniciar uma ofensiva das Forças Armadas e demais órgãos governamentais contra o movimento de luta pela terra nos estados da região Amazônica (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão).
A Operação “Verde Brasil 2” traz como justificativa a necessidade de combater os desmatamentos e as queimadas, incentivadas e promovidas pelo próprio governo Bolsonaro e pelo bloco político que lhe dá sustentação. A Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres (LCP) denunciou, em nota divulgada pela internet, de que se trata de uma operação de guerra contra os pequenos e médios camponeses da região, em favor da garantia dos interesses dos latifundiários.
A LCP trouxe à tona o fato de que as Forças Armadas estão operando em conjunto com as polícias estaduais e as milícias armadas de pistoleiros. Isto é, elas encobrem a violência criminosa de grupos armados no campo, que pela lei nem sequer poderiam existir. Para a LCP, as operações militares na Amazônica são parte de um treinamento de execução de um golpe militar, organizado e dirigido pelo Alto Comando das Forças Armadas.
A lei ambiental é interpretada e aplicada de forma seletiva. Sob o discurso de “proteger o meio ambiente”, as Forças Armadas e o sistema judiciário impõe todos os “rigores da lei” aos camponeses pobres que tiram uma casca da árvore para fazer um chá ou quando matam um animal para se alimentar. Já para as grandes mineradoras, madeireiras e latifundiários, responsáveis por colossais danos aos ecossistemas, caso do rompimento das barragens da Vale, não há qualquer rigor, nenhuma prisão e uma criminosa cumplicidade política. A repressão do Estado, como de praxe, recai nas costas dos pequenos e médios camponeses.
Em meio à pandemia do Covid-19 e suas consequências econômicas, que tem afetado duramente os povos indígenas, quilombolas e as populações ribeirinhas, as Forças Armadas deflagram grandes operações repressivas contra os movimentos de luta pela terra. Em diversas localidades, se verificou enfrentamentos entre a população e as forças repressivas. A tomada das terras para a grilagem é um aspecto fundamental da operação.
É preciso denunciar a ofensiva das Forças Armadas e do governo Bolsonaro contra os movimentos de luta pela terra na região Amazônica. A LCP afirma que se trata de uma preparação de um golpe militar preventivo, que visa desatar uma guerra generalizada contra o povo. A formação de comitês de autodefesa no campo têm caráter estratégico para denunciar a ofensiva e organizar a resistência.





