Na última segunda-feira, os parlamentares do PT se reuniram com Lula e decidiram, de maneira correta, a adesão à palavra de ordem de “Fora Bolsonaro”. Nesse dia 22, o Diretório Nacional do PT também decidiu, em nota oficial, que adotará tal palavra de ordem.
A decisão do PT, bem como notas da CUT e da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), todas levantando a necessidade de derrubar o governo são um avanço para a luta contra o golpe. Mas é preciso levantar um debate importante sobre como deve se dar essa luta.
Na mesma nota, o Diretório Nacional do PT afirma que “vai somar esforços com todos os democratas, de forma a aglutinar uma ampla frente com partidos e organizações da sociedade para salvar o país de Bolsonaro e seu governo.” Ainda segundo a nota, “É inadiável uma reação contundente das instituições e da sociedade, de todos aqueles que defendem a vida, os empregos, a democracia.”
O problema central, uma vez que a decisão sobre a necessidade de derrubar Bolsonaro foi tomada, é justamente a crença do PT – e da esquerda em geral – que a queda do governo virá através de uma “frente ampla em defesa da democracia”. Essa concepção leva a esquerda e, por consequência, os trabalhadores a uma armadilha perigosa. A ideia de que setores da direita golpista estariam dispostos a derrubar Bolsonaro.
Essa ideia leva a uma ação no terreno parlamentar, como se fosse possível uma aliança com o chamado “centrão” e meras manobras parlamentares para derrotar Bolsonaro.
A direita, no entanto, não está disposta a derrubar Bolsonaro. As divergências que eventualmente aparecem explícitas tanto em partidos da direita tradicional como na imprensa golpista são superficiais. A burguesia de conjunto não quer derrubar Bolsonaro, no máximo, busca uma saída eleitoral enquanto procura adequar Bolsonaro a sua política.
O exemplo mais recente disso é justamente a disputa em relação à política de isolamento social. Em primeiro lugar é preciso dizer que tanto a base de Bolsonaro quanto a direita tradicional, representada pelos governadores, nunca tiveram uma política essencialmente diferente no combate à pandemia. Ambos preparam o genocídio do povo, sem nenhuma medida efetiva para oferecer à população estrutura para combater o vírus. A diferença aí não passou de propaganda: Bolsonaro falava para sua base social de setores empresariais preocupados com os prejuízos, Doria e os elementos do “centrão” fazia propaganda do isolamento se mostrando responsável enquanto mantêm os trabalhadores na rua e desassistidos nos bairros de periferia.
Agora, com a decisão do conjunto da burguesia de preparar o fim da quarentena, todos eles se unificam novamente contra o povo.
No que diz respeito aos ataques econômicos brutais contra o povo, novamente todos os setores estão unificados.
Na realidade, João Doria, Wilson Witzel e outros não são mais do que elementos de extrema-direita, bolsonaristas como o próprio Bolsonaro.
Todo o “centrão”, à parte divergência pontuais como aconteceu no caso do isolamento social, serve como base de apoio para o governo. Foi o “centrão”, o PSDB, o DEM e a imprensa golpista os responsáveis pelo golpe de 2016, pela eleição de Bolsonaro e a fraude que prendeu Lula.
O fora Bolsonaro só é real como palavra de ordem se se materializar nas ruas, através de uma mobilização do povo. É preciso um programa de luta, independente, que coloque a derrubada do governo e de todos os golpistas com novas eleições. É preciso uma política independente, que não coloque o povo a reboque de nenhuma das duas alas bolsonaristas.
Nesse sentido, a única frente possível é com o povo e suas organizações mobilizadas.




