A direção da Usiminas está preparando a demissão de cerca de mil trabalhadores de sua unidade de Cubatão, na Baixada Santista (SP) e outras centenas em Ipatinga (MG) e pressionando pela redução dos salários de milhares de metalúrgicos.
Em meio à pandemia, a empresa (uma ex-estatal que foi doada para os capitalistas, por meio da “privatização”) busca tirar proveito da situação, aumentando a exploração e rebaixando o salário dos trabalhadores, intensificando a ofensiva contra os trabalhadores, já que vinha deslanchando – inclusive – com a ameaça de fechamento da Usina de Cubatão e demissão de mais de 4 mil trabalhadores.
De acordo com o que Boletim O Metalúrgico, do Sindicato dos Metalúrgicos de Cubatão, divulgou na semana passada, “há aproximadamente 10 dias, a direção da usina apresentou uma proposta para o Sindicato aqui em Cubatão e também em Ipatinga (MG), em que pretendia usar as Medidas Provisórias do governo que só protegem os interesses dos patrões (10/5/20).
No Boletim e na imprensa burguesa local, surgem informações de que a empresa teria, entre outros objetivos, reduzir os salários em 20%, na média; Intensificar o banco de horas, para permitir que horas não trabalhadas por conta da pandemia possam ser cobradas dos trabalhadores, na forma decidida pela empresa, suspender os contratos de trabalho de milhares de operários (por meio de (lay-off), por até 5 meses, sem pagamento dos salários, durante os quais os trabalhadores só teriam direito ao seguro-desemprego.
Cinicamente, a Usiminas, segundo divulgaram os sindicatos, além de adotar todas essas medidas criminosas de ataque, ainda quer que os Sindicatos assinem um acordo aceitando estas medidas e mais de mil demissões. O que seria uma enorme traição contra a categoria.
No final da semana passada, a direção da empresa anunciou 900 demissões, em Cubatão, que foram adiadas, até a realização de reunião com o Sindicato e o Ministério Público do Trabalho, no dia de ontem.
O Sindicato de Santos anunciou que teria recusado a proposta da empresa e reivindicado a estabilidade no emprego para o conjunto dos trabalhadores, o que foi recusado pela empresa. Mas se mostrou disposto a “propor um Acordo que seria decidido pelos trabalhadores em assembleia para garantir salário e emprego” e, anunciou que “não haverá nenhuma votação para decisão sobre um Acordo Coletivo emergencial, se a Usiminas fizer demissões“.
Também orientou aos trabalhadores que “se você for chamado pela chefia, supervisão ou no ambulatório médico, se receber algum comunicado da empresa ligue imediatamente para o Sindicato”.
As empresas e a imprensa capitalistas procuram aumentar a pressão sobre os trabalhadores e os sindicatos, buscando dar entender que estão propondo uma uma “negociação”. Trata-se de um verdadeiro golpe. Não há nenhuma negociação. É uma política de assédio em que o trabalhador “entra com o pescoço” e o patrão “com a corda”.
Ao contrário de buscar um “entendimento” (uma verdadeira rendição das organizações dos trabalhadores), é preciso mobilizar os metalúrgicos e o conjunto dos trabalhadores das regiões afetadas, em uma verdadeira campanha pela estabilidade e redução da jornada, sem redução dos salários.
É preciso quebrar a paralisia da maioria dos sindicatos (milhares deles fechados!), convocar a unidade dos trabalhadores demitidos ou ameaçados pela demissão, com os que seguem trabalhando, e organizar a ocupação das empresas contra as demissões. A única linguagem entendida pelos patrões é a da força, da forca da mobilização dos trabalhadores.





