A população não pode ter dignidade, ela precisa ser explorada eternamente. Tal argumento é um consenso para o conjunto da burguesia, a qual controla todo o aparato estatal no sistema capitalista. A educação é um dos principais setores para que a população se organize e se politize para lutar contra tal regime autoritário, visto que nele não podem desfrutar nem de seus direitos básicos nem cumprir seus verdadeiros objetivos e sonhos. Nesse sentido, se torna necessário para o regime burguês um contínuo sucateamento do ensino e do sistema educacional para impedir que o povo aprenda e para garantir que ele continue sobre seu controle.
No Brasil a educação é para uma minoria do país, são reduzidos os números de estudantes que finalizam o ensino básico e muito menor para o ensino médio. Muitos precisam trabalhar e muitos só vão às escolas para receberem a merenda, visto que a qualidade do ensino é péssima e o trabalho dos professores precário, assim, não existe um incentivo para que os alunos permaneçam na escola e sim, um incentivo para que eles levem comida para a casa servindo os grandes tubarões capitalistas. Para o ensino superior, o setor mais organizado para a luta por suas reivindicações, o programa do governo direitista precisa ser mais radical em sua segregação.
O vestibular para ingresso em Universidade é uma elitização de maior grau, os alunos que pagam cursinhos ou que estudaram em escolas particulares são os alunos admitidos, mesmo com a política das cotas, em qualquer Universidade Federal ou Estadual se percebe uma maioria de estudantes de classe média ou classe média alta. Basicamente, se um indivíduo nasceu em uma família de trabalhadores mais pobres, a maioria da população, ele tem baixas chances de terminar seu ensino básico, menos ainda do ensino médio, e praticamente nula de ingressar em alguma universidade.
Sobre o pretexto da crise do coronavírus, enquanto a direita impõe suas medidas genocidas contra a população, a esquerda se perde em pautas vazias, e rapidamente revela seu caráter pequeno burguês, o qual abandona qualquer política de interesse popular. Nesse contexto, a União Nacional dos estudantes (UNE) e a União brasileira dos Estudantes (UBES) fizeram uma campanha para o adiamento do Enem, considerando as condições dos estudantes que perderam completamente uma forma de se preparar para a avaliação durante o “isolamento”. É importante colocar o caráter prático dessa campanha, uma campanha limitada as redes de internet que não se esforçou para mobilizar os estudantes para uma luta real. O Enem ao invés de um direito é um exame de seleção excludente e injusto, no qual considera que os estudantes precisam de mérito para adentrar no ensino superior, mérito não existe, na realidade é claro que a Universidade é um privilégio para as classes mais abastadas e que a direita tenta manter dessa forma, com o apoio dessas políticas inócuas da direita.
Diante de toda a polêmica do Enem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) alterou as datas de aplicação da versão digital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para os dias 22 e 29 de novembro. As entidades estudantis cantaram vitória, só que ao mesmo tempo o Enem impresso continua mantido para o começo do mesmo mês, ou seja, os estudantes sem acesso e disponibilidade nas redes, situação majoritária, continuam sendo descartados pela política do governo golpista, caracterizando ainda mais o caráter oportunista das entidades, e o fortalecimento do fundamento demagógico das políticas da direita.
Fica mais evidente, que o caminho não é o parlamento, e muito menos uma campanha para o adiamento de um método com uma faceta nazista de seleção. As principais organizações estudantis, UNE e UBES, que contam com milhões de estudantes em suas bases, no momento de crise, ou seja, o momento mais importante para a defesa dos estudantes, realiza pede para governo autoritário, o qual toma medidas concretas para desmobilizar os estudantes e gastar o mínimo possível com a educação, para que ele organize a situação para os estudantes já privilegiados. Por fim, eles acabam por confiar nesse governo e colaborar com seu programa.
A luta pelo formato de seleção ou pelo adiamento é uma luta que se mostra inútil para o povo. A Universidade não pode continuar a ser um privilégio para uma grotesca minoria, os estudantes precisam se organizar para garantir seu direito a um ensino de qualidade. Essa organização precisa ser feita independentemente do governo bolsonarista, que tem a clara intenção de destruir e privatizar todo o sistema educacional, com a certeza de que a luta é contra todos os golpistas, e contra a autoridade política de Bolsonaro. As organizações estudantis precisam se aproveitar da crise, na qual fica mais evidente a polarização política, ou seja, a luta de classes, para exigir nenhum direito a menos aos estudantes, e exigir a livre entrada nas Universidades.





