Antes que o povo exploda

Mais países são obrigados a libertar presos para evitar o caos social

Mesmo países governados pela extrema-direita estão sendo obrigados a tomar medidas democráticas em relação aos presos para evitar uma explosão social.

O Irã foi um dos primeiros países em que o novo coronavírus se manifestou. No dia 23 de março, o país se tornou o país com maior número de mortes pela doença, chegando a oito óbitos. Rapidamente, no entanto, o país persa seria ultrapassado pelos países da Europa Central e pelos Estados Unidos.

Quando o Irã atingiu o número de 2.336 pessoas infectadas pela doença, tendo 77 dessas sido mortas, o governo persa tomou a iniciativa de liberar 54 mil presos. A medida foi tomada, obviamente, para evitar que a doença se espalhasse em um local onde ficam milhares de pessoas confinadas.

Ao mesmo tempo em que o Irã, comandado por um governo nacionalista burguês — isto é, com maiores contradições em relação à burguesia mundial e, portanto, com menores condições de reprimir o povo —, libertava dezenas de milhares de presos, os governos dos países imperialistas, bem como seus capachos, tomavam decisões no sentido de restringir ainda mais os direitos dos presidiários. Foi o caso da Itália, que não libertou os presos, e ainda os proibiu de receber visitas. No dia 14 de março, uma rebelião explodiu nos presídios italianos.

Com o avanço da pandemia, no entanto, vários governos estão sendo obrigados a rever suas posições em relação ao encarceramento da população, mesmo que de uma maneira muito limitada e demagógica, como são os casos de governos de extrema-direita, intimamente vinculados ao imperialismo e defensores de uma política genocida.

Esse é o caso, por exemplo, do Chile, governado pelo neoliberal Sebastián Piñera, que vem sendo alvo de manifestações populares há muito tempo. Herdeiro da ditadura de Pinochet, o presidente chileno anunciou que a partir do final da semana, serão libertados os primeiros presos beneficiados pelas novas medidas tomadas por causa do avanço da pandemia. Já na França, governada pelo neoliberal Emmanuel Macron, pelo menos 10 mil presos a menos constam nas estatísticas.

No Brasil, governado pelo fascista Jair Bolsonaro, nenhuma medida democrática foi tomada em relação aos presos. O “superministro” Sérgio Moro, responsável pela Segurança, já deixou claro que não está nos planos dos golpistas libertar os presos. Pelo contrário: sem pudor de serem taxados de fascistas, falam abertamente que os presidiários escolheram morrer, por supostamente terem praticado algum crime. Será um massacre anunciado.

É necessário, portanto, fazer frente a isso. Diante da matança que se torna cada vez mais concreta, é preciso organizar a mobilização dos trabalhadores pela derrubada imediata do governo Bolsonaro e de todo o regime golpista de conjunto.

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