Durante o carnaval em Salvador, o cantor e deputado federal (DEM), Igor Kannário, também conhecido como “príncipe do gueto” se envolveu numa polêmica após críticas as agressões da Policial Militar no bloco em que cantava.
Kannário cantava em seu bloco “pipoca”, quando viu policiais militares agredindo os foliões e disse em cima do trio elétrico para os PM’s e o público: “Agressores. Venham me bater aqui em cima seus bunda mole”, provocou após pedir vaia do público para os policiais presentes. “Peço à imprensa, filma isso aí. Isso é abuso de poder, abuso de autoridade. Quero uma vaia para a Polícia Militar da Bahia”.
A fala apresentada pelo cantor e deputado durante o carnaval resultou em uma enxurrada de críticas, retaliações e abertura de processos. As críticas apresentadas por Kannário são corretas e corresponde a fatos que a PM faz de maneira corriqueira não só na Bahia, mas em todo o país, mas da esquerda a direita houve críticas a conduta do cantor.
O próprio governador da Bahia, Rui Costa (PT) encaminhou um pedido para o Ministério Público uma representação contra as declarações. Segundo a Procuradoria-Geral do Estado afirma que foram palavras agressivas e de “baixo calão” contra os policiais, que foram ditas do alto de um trio elétrico para uma multidão, fato que poderia causar a incitação da população contra a Polícia Militar e comprometer a segurança da festa.
Uma delas citada pela procuradoria foi do cantor dizendo “se acontecer alguma coisa comigo, quem mandou me matar foi alguém da Polícia Militar”, reação natural quando se trata da polícia. Além disso, shows do cantor foram cancelados e outras representações, artigos e matérias publicadas contra o cantor e em defesa da PM.
A última medida apresentada contra o cantor foi pela Associação dos Oficiais Militares Estaduais da Bahia (Força Invicta) protocolou a denúncia na quarta-feira (03/03), por quebra de decoro parlamentar, numa clara perseguição ao cantor e a liberdade de expressão.
A associação de Policiais Militares afirma que o deputado “proferiu injustas ofensas e acusações à Polícia Militar da Bahia e seus integrantes”. “Não iremos tolerar manifestações desta natureza que depõe contra militares estaduais que cotidianamente garantem o exercício da cidadania e da paz social”, ressaltou o presidente, major Copérnico Mota.
Crime por dar uma declaração
As várias representações contra Igor Kannário mostra a censura e perseguição contra opiniões e declarações defendidas pela esquerda. O cantor não é de esquerda e representa um partido da direita, mas as criticas a conduta da PM são, no mínimo, pertinentes e está sendo censurada pela extrema direita da Bahia representada pela própria PM.
E qual foi o crime e motivo da perseguição ao cantor e deputado? Dar uma declaração do que estava acontecendo e de uma instituição que é conhecida por cometer atos ilícios e violentos contra a população?
Neste caso fica evidente que não se pode censurar ninguém por dar uma opinião ou uma declaração. O cantor saiu em defesa dos foliões que estavam sendo violentamente agredidos pela PM e agora sofre perseguição e pode até perder o mandato.
A esquerda e suas organizações são as principais críticas da conduta da Polícia Militar e da própria instituição, e no caso em questão, claramente está sendo utilizado para esconder os crimes da PM e sua conduta criminosa. Calar-se diante dos ataques ao deputado e cantor é corroborar é abrir uma brecha para a perseguição a própria esquerda, inclusive para os partidos que defendem a extinção dessa organização de extrema direita.
É preciso defender o fim da Polícia Militar
A tentativa de censura e a perseguição sofrida por Igor Kannário também realizada pela associação dos policiais militares só reforça a reivindicação dos trabalhadores de extinção da Polícia Militar. Fica evidente que essa é uma reivindicação real e necessária, pois até um deputado federal da direita representado pelo partido Democratas está criticando a conduta da PM.
A Polícia Militar é uma expressão da extrema direita, selecionando e treinando os elementos de extrema direita com características fascistas para cumprir o papel de repressão aos trabalhadores e a população pobre.
Diante dessa realidade, a única política viável para evitar que a polícia continue massacrando o povo é exigir a dissolução da PM e a constituição de milícias populares, diretamente controladas pelos trabalhadores.




