O ex-deputado federal pelo PSOL, Jean Wyllys, fez uma proposta de aliança com o apresentador Luciano Huck através do twitter, na última quarta (19/02). Wyllys convidou o candidato da globo para integrar o movimento “Decência sem fronteiras” de sua autoria, o qual tem objetivo de ser “contrário à apologia a torturadores, ditaduras, assassinos membros de milícias, ao racismo contra negros e índios, à homofobia e misoginia”.
Até o momento o post/convite de Wyllys permanece sem resposta de Huck. Assim como, vários de seus seguidores apontaram, o futuro candidato avulso da Globo é um elemento da extrema direita, apoiador do golpe de Estado, eleitor de Aécio Neves e Bolsonaro, bem observaram os internautas.
Entretanto, é importante avaliar a proposta do ex-deputado que, apesar de ter sido feita via rede social e de forma informal, demonstra. em primeiro lugar, a profunda confusão que setores da esquerda brasileira mantém ao acreditar haver uma diferenciação entre a direita tradicional e a extrema direita, no que nominam, por exemplo, de direita democrática e ultradireita e, por consequência, buscam se aproximar a qualquer custo da direita golpista. Esta confusão já deu frutos, sendo o principal deles, o projeto eleitoral da Frente Ampla, a qual se propõe exatamente a fazer uma grande aliança eleitoral de setores da esquerda com a direita golpista, DEM, PSDB, MDB principalmente, na ilusão de enfrentar a extrema direita bolsonarista nas próximas eleições. Um erro que demonstra uma grande miopia política, pois a extrema direita é produto da dita direita tradicional (o centrão), em que elementos como Aécio Neves (amigo pessoal de Huck), Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer, Rodrigo Maia, ACM Neto, foram atores principais no golpe de 2016 e nas eleições fraudadas de 2018, que levaram à presidência uma criatura do terceiro escalão da política nacional, símbolo do atraso intelectual e do extremo conservadorismo.
Outro aspecto importante é o dito movimento criado por Wyllys, Decência sem fronteiras. Tanto pelo nome, quanto pelos objetivos, logo se vê que se trata de uma proposição reacionária e típica de políticas direitistas, a qual sempre lança mão de bandeiras como o conservadorismo, a repressão à população e cerceamento de direitos. É exatamente isso que propõe ex-deputado do Partido Socialismo e Solidariedade (PSOL), um conjunto de medidas que visam em última instância aumentar a violência do Estado contra a população. Com o avanço da extrema direita fascista e sua propaganda puramente demagógica, ao invés de defender pautas históricas da esquerda como a defesa dos direitos humanos, dos direitos democráticos, da ampliação das liberdades individuais e políticas sociais, na ânsia em se aproximar da direita, a esquerda (partidos da esquerda) acaba por defender e assumir o programa da direita, que é exatamente o de aumentar a opressão contra o povo.
Esse é o pior reflexo da adoção de programas puramente eleitorais, como a Frente Ampla, pois coloca a esquerda a reboque da política da direita, deixando o povo entregue a um governo que se torna cada vez mais fechado, mais próximo de uma ditadura fascista, sem que haja um enfrentamento real que seja capaz de frear todos estes ataques.
Nessa fantasia eleitoral, é possível ver como um político, ex-deputado federal eleito como o grande defensor das causas LGBT, negros e mulheres, faz parte de uma esquerda que está constantemente ligado à burguesia nacional, lançando projetos de repressão contra o povo. Nunca é demais lembrar que Jean Wyllys iniciou sua carreira política através da popularidade promovida pela rede Globo, no famigerado Big Brother, nunca tendo se afastado de seus “genitores”.
Assim, neste carnaval é hora de aproveitar o povo nas ruas para intensificar a campanha Fora Bolsonaro, canalizando na palavra de ordem toda a insatisfação popular com o golpe de Estado e os ataques do governo Bolsonaro ao conjunto dos trabalhadores.




