O Observatório da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), apresentou dados alarmantes no que diz respeito à questão do desemprego no setor naquele estado. Nos últimos 30 dias, desde o início da pandemia do coronavírus, as indústrias de Santa Catarina já colocaram no olho da rua cerca de 165 mil trabalhadores.
A pesquisa, além informar dados do números das demissões, divulgou também a retração do setor industrial que chegou a 28%, e queda nas vendas internas de 29,1% e de 11% nas exportações.
O presidente da Fiesc, que admitiu que ainda não se sabe até onde vai o estrago na indústria catarinense, defendeu, é claro, a flexibilização do isolamento, com a liberação de atividades em cidades onde não há casos confirmados de Covid-19.
A profundidade da crise em que está inserido o país, neste momento de pandemia, pode ser medido pela total falência do sistema de saúde e, pelas medidas de diversos governadores que aos poucos vem abandonado a política de isolamento e propondo a abertura de diversos segmentos da economia. A inflação ameaça a disparar, a produção industrial declina cada vez mais, diminui a produção de alimentos essenciais à população.
A situação pré-recessiva, em consonância coma a crise mundial capitalista afasta totalmente toda perspectiva de uma saída. É nesse sentido que a burguesia e seu governo, vem desenvolvendo uma grande ofensiva contra a classe trabalhadora e as demissões no setor produtivo, colocam em evidência as dimensões desta ofensiva. Não se trata de uma ofensiva de caráter episódico, mas sim da ação de governo pró-imperialista e anti-operário num plano de descarregar nas costas dos trabalhadores toda a crise econômica mundial que se agravou profundamente com a pandemia do coronavírus. Este violentíssimo ataque contra os trabalhadores e as massas populares tende portanto, a se intensificar provocando uma queda ainda mais profunda às condições de vida da classe operária.
As propostas levantadas pela esquerda de pressão aos parlamentares no reacionário Congresso Nacional, tem se demonstrado completamente incapazes de dar uma resposta aos anseios dos trabalhadores, vide a recente votação no parlamento quando a direita, através da aprovação da MP 905 realiza o maior roubo dos últimos séculos aos trabalhadores.
Enquanto a burguesia e suas instituições avançam nos ataques aos trabalhadores, a resposta das direções sindicais, num momento em que a classe trabalhadora mais precisa, foi de fechamento dos sindicatos e, em certa medida, a intensificação dos atraques dos patrões avançam por conta desta medida.
Portanto, se verdadeiramente se quer conter as demissões, o avanço do contágio do coronavírus, etc., não se pode capitular diante dessa ofensiva da burguesia. As organizações dos trabalhadores devem organizar imediatamente as lutas de confronto ao governo e aos patrões. Organizar, nas fábricas, comissões de empresas como forma concreta de organização pela base de mobilização na categoria, inclusive como forma de pressão das bases sobre as direções sindicais para que, na atual conjuntura de ataques sistemáticos dos patrões, tomam com a sua paralisia e organizar a luta dos trabalhadores.




