Conforme o tempo passa vai ficando mais nítida a intenção da equipe econômica do governo, na ilustre figura de Paulo Guedes, de justificar os baixíssimos níveis da atividade econômica utilizando a desculpa oportuna da pandemia da Covid-19, ignorando completamente os já ridículos índices e perspectivas anteriores à crise sanitária que por sua vez revelavam a brutal crise da deterioração capitalista a nível mundial.
Demonstrando sinais de impaciência com os resultados apresentados, Jair Bolsonaro começa a pressionar seu fiel escudeiro por avanços significativos que abafem ou neutralizem a imagem abalada do presidente golpista diante dos processos em diferentes instâncias no Judiciário e que respingam sobre o Palácio do Planalto.
Todas as reformas empreendidas até agora por Guedes não trouxeram os resultados esperados e apenas aprofundaram a crise econômica e o desemprego no país, o que coloca o neoliberal em panos quentes já que lhe faltam argumentos robustos que renovem as esperanças de resultados positivos em curto prazo. Um dos exemplos é o próprio Produto Interno Bruto (PIB) cujas previsões ficam cada dia mais pessimistas, incluindo aí aquelas feitas por organismos aliados ao governo como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Desesperado, Guedes tenta acelerar seu projeto privatizador que também encontra resistência na própria burguesia nacional e internacional cuja não visualiza ainda segurança jurídica e financeira suficiente para investirem seus ativos atualmente cômodos nas carteiras de especulação bancária em mercados de alto risco.
Contraditória, a propalada retomada imediata que fora prometida por Paulo Guedes encontra-se hoje em uma realidade impensável, muito devido ao cenário de instabilidade construído a alimentado pelo próprio governo diariamente e que desastrosamente não soube ou não demonstrou interesse em aplicar medidas satisfatórias e efetivas para o combate da pandemia no país.
A estagnação da produção industrial e a total ausência de um plano para a retomada das atividades econômicas colocam pressão sobre o ministro da Economia que já visualiza sua cabeça na “bandeja do linchamento” promovida entusiasticamente por Bolsonaro desde o inicio de seu mandato dentre os vários membros de sua equipe.
“Certamente, Guedes será cobrado por resultados e para dar mais estímulos, especialmente de gasto com infraestrutura. O Centrão demandará mais presença no governo em troca de apoio à sobrevivência política de Bolsonaro. Não consigo ver na mesma equação Guedes, Centrão e militares do Planalto. Alguém está sobrando e, no caso, é o ministro da Economia”, avaliou Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, um banco de investimentos. Ele ainda descarta o avanço de novas reformas. “O governo Bolsonaro não terá condições políticas de fazer nenhuma mudança constitucional relevante”, afirmou em entrevista para o jornal Correio Brasiliense.
O ministério aposta no setor de saneamento e energético como fontes de investimentos imediatos surgidos a partir das privatizações em curso. Uma das empresas públicas ameaçadas é a Eletrobrás e suas subsidiárias como a Chesf e Furnas. A estatal é responsável pela execução do programa “Luz Para Todos” criado ainda no primeiro mandato do ex-presidente Lula.
Como se não bastasse, o Senado pode votar hoje o Projeto de Lei 4162/2019 que modifica o marco legal do saneamento básico no Brasil. Na prática isso privatiza os serviços de fornecimento de água e esgoto no país e abre brecha para que grandes monopólios como a norte-americana Coca-Cola e a suíça Nestlé se apoderem dos recursos naturais nacionais.
Cabe, portanto à imprensa dos trabalhadores a missão de elucidar que a crise econômica é anterior à pandemia muito devido à própria política dos golpistas. E que diante desse cenário aumentam os ataques à classe operária e ao patrimônio público numa tentativa desesperada de salvar a carcomida economia capitalista mundial.



