Ganhou repercussão na imprensa e nas redes sociais o caso envolvendo o médico Drauzio Varella após uma reportagem especial feita para o programa Fantástico da Rede Globo. A reportagem tratava sobre a situação de presas travestis nas penitenciárias brasileiras.
Em um dos episódios, o médico contou o caso de uma travesti que há oito anos não recebia visitas no presídio. Após o caso, comovido pela história da presa, Drauzio Varella abraçou-a.
Pouco tempo depois, a direita bolsonarista tratou de investigar qual teria sido o crime cometido pela travesti em questão. Descobriram que a presa estava condenada após o assassinato e estupro de uma criança de nove anos. Um crime considerado hediondo.
Essa direita aproveitou o caso para reforçar a propaganda fascista contra presos. A velha máxima “bandido bom é bandido morto” reapareceu em comentários de vários bolsonaristas. A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL) usou suas páginas para atacar o médico. O ministro da educação aproveitou para dar suas típicas declarações grotescas, afirmando que o médico tem “seu lugar reservado no inferno”.
A repercussão entre a extrema-direita foi grande. Tão grande que até mesmo setores da esquerda se confundiram com a questão e começaram a entrar na onda de que não se poderia defender – ou melhor dizendo – se compadecer com uma criminosa tão hedionda.
O que está por trás disso tudo é a campanha direitista pelo aumento da repressão e das penas. A crítica que foi feita ao médico da rede Globo é o simples fato de ter se compadecido com uma pessoa que há estava submetida a uma situação desumana dentro do presídio.
O próprio Drauzio Varella afirmou, em resposta à repercussão do caso, que ele visitou aquela cadeia como “médico não como juiz”. De fato, não cabe a uma médico ou a qualquer um que buscava retratar as condições de um presídio perguntar qual seria o histórico dos presos. Assim como não cabe a um advogado fazer juízo moral daquele que ele está defendendo. O direito da pessoa à defesa e a um tratamento médico é garantido. Não é porque uma pessoa foi presa – seja lá qual crime tenha cometido – que ela poderá ser submetida a piores condições.
Fato é que, se aqueles presos estão lá, isso significa que já foram condenados e estão cumprindo penas. Mas vale lembrar que em muitos casos sequer foram condenados. O que a extrema-direita quer ao atacar o médico é defender que um preso deve ser submetido às mais absurdas condições, às verdadeiras masmorras que são os presídios brasileiros. No final, defendem a tortura desses presos. O que essa direita quer é um Estado Nazista.




