Pior do que 1929

Epicentro do coronavírus, EUA vê número de desempregados disparar

Atualização dos dados sobre o emprego colocam os trabalhadores americanos na mesma situação de 1931, porém com deterioração muito mais rápida

Mais 4,4 milhões de norte americanos precisaram se inscrever no programa de assistência aos trabalhadores atingidos pelo desemprego nos Estados Unidos desde a semana passada, totalizando mais de 26 milhões de desempregados no principal pilar do imperialismo. Com a atualização dos dados sobre o desemprego ocorrida nesta quinta-feira, 23 de abril, mais de 15,85% da força de trabalho se encontra inutilizada pela devastação econômica impulsionada pela crise do coronavírus.

O crescimento de 4,4 milhões na população desempregada implica em mais de 2,68% da força de trabalho americana excluída da economia mais desenvolvida do mundo, e num intervalo de apenas uma semana. A destruição de postos de trabalho em escala inédita fez com que em 5 semanas, os Estados Unidos saíssem da menor taxa de desemprego desde 1969 para a maior desde 1939, quando a economia americana ainda se encontrava em processo de recuperação em relação a depressão econômica iniciada 10 anos antes.

O patamar atingido de 15,85% é também 0,5 pontos percentuais inferior a taxa de desemprego registrada em 1931, quando 15,9% dos trabalhadores se encontravam sem emprego dois anos após o crash da bolsa de valores de Nova Iorque. Este acaba sendo outro dado que permite corroborar a previsão feita por diversos economistas, Nouriel Roubini entre outros, de que a atual etapa da crise histórica do capitalismo tem uma forte tendência a ser pior do que a depressão de 1929, na medida em que este dado da saúde econômica do país se deteriora com tamanha velocidade, a ponto de produzir em apenas 5 semanas o mesmo resultado que na outra ocasião demandou 2 anos, ou cerca de 96 semanas.

O pacote de resgate recorde de US$2,2 trilhões vai demonstrando assim, pelo próprio desenvolvimento da crise, ser incapaz de dar uma saída minimamente produtiva à depressão econômica, que não é nova mas tão somente uma retomada da crise iniciada em 2008, cujo centro fundamental era o superendividamento levado ao ponto da insolvência. A solução adotada então foi a emissão de dinheiro público para salvar os grandes capitalistas, agraciados também na época com pacotes de salvação recordes. Com isso, a burguesia tratou de empurrar a crise ao máximo, expropriando a classe trabalhadora e as nações atrasadas com uma propaganda de unidade nacional amplamente adotada em quase todos os países, em defesa dos empregos e da retomada econômica. Em relatório publicado no ano de 2018, o FMI já alertava para o fato de que o endividamento global piorara desde 2008, com crescimento superior a 60% da dívida a nível mundial. A margem de ação ficou sensivelmente menor desde então.

O maior resgate da história não fez mais do que adiar a fatura da crise 11 anos atrás, de modo que não podemos esperar muito mais hoje, exceto o que o capitalismo já vem insinuando: a mais severa onda de ataques e expropriações contra a classe trabalhadora. Ataques aos direitos e salários vão se tornar dramaticamente urgentes pela evolução da crise, o que torna igualmente urgente o desenvolvimento de uma política voltada ao atendimento dos interesses concretos da classe trabalhadora. Só com a completa independência política dos trabalhadores em relação aos seus algozes mortais, a burguesia, é que uma saída realmente segura pode ser dada ao drama do desemprego, que explode de maneira inédita nos Estados Unidos, indicando uma deterioração ainda mais explosiva ao resto da humanidade.

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