Mais 4,4 milhões de norte americanos precisaram se inscrever no programa de assistência aos trabalhadores atingidos pelo desemprego nos Estados Unidos desde a semana passada, totalizando mais de 26 milhões de desempregados no principal pilar do imperialismo. Com a atualização dos dados sobre o desemprego ocorrida nesta quinta-feira, 23 de abril, mais de 15,85% da força de trabalho se encontra inutilizada pela devastação econômica impulsionada pela crise do coronavírus.
O crescimento de 4,4 milhões na população desempregada implica em mais de 2,68% da força de trabalho americana excluída da economia mais desenvolvida do mundo, e num intervalo de apenas uma semana. A destruição de postos de trabalho em escala inédita fez com que em 5 semanas, os Estados Unidos saíssem da menor taxa de desemprego desde 1969 para a maior desde 1939, quando a economia americana ainda se encontrava em processo de recuperação em relação a depressão econômica iniciada 10 anos antes.
O patamar atingido de 15,85% é também 0,5 pontos percentuais inferior a taxa de desemprego registrada em 1931, quando 15,9% dos trabalhadores se encontravam sem emprego dois anos após o crash da bolsa de valores de Nova Iorque. Este acaba sendo outro dado que permite corroborar a previsão feita por diversos economistas, Nouriel Roubini entre outros, de que a atual etapa da crise histórica do capitalismo tem uma forte tendência a ser pior do que a depressão de 1929, na medida em que este dado da saúde econômica do país se deteriora com tamanha velocidade, a ponto de produzir em apenas 5 semanas o mesmo resultado que na outra ocasião demandou 2 anos, ou cerca de 96 semanas.
O pacote de resgate recorde de US$2,2 trilhões vai demonstrando assim, pelo próprio desenvolvimento da crise, ser incapaz de dar uma saída minimamente produtiva à depressão econômica, que não é nova mas tão somente uma retomada da crise iniciada em 2008, cujo centro fundamental era o superendividamento levado ao ponto da insolvência. A solução adotada então foi a emissão de dinheiro público para salvar os grandes capitalistas, agraciados também na época com pacotes de salvação recordes. Com isso, a burguesia tratou de empurrar a crise ao máximo, expropriando a classe trabalhadora e as nações atrasadas com uma propaganda de unidade nacional amplamente adotada em quase todos os países, em defesa dos empregos e da retomada econômica. Em relatório publicado no ano de 2018, o FMI já alertava para o fato de que o endividamento global piorara desde 2008, com crescimento superior a 60% da dívida a nível mundial. A margem de ação ficou sensivelmente menor desde então.
O maior resgate da história não fez mais do que adiar a fatura da crise 11 anos atrás, de modo que não podemos esperar muito mais hoje, exceto o que o capitalismo já vem insinuando: a mais severa onda de ataques e expropriações contra a classe trabalhadora. Ataques aos direitos e salários vão se tornar dramaticamente urgentes pela evolução da crise, o que torna igualmente urgente o desenvolvimento de uma política voltada ao atendimento dos interesses concretos da classe trabalhadora. Só com a completa independência política dos trabalhadores em relação aos seus algozes mortais, a burguesia, é que uma saída realmente segura pode ser dada ao drama do desemprego, que explode de maneira inédita nos Estados Unidos, indicando uma deterioração ainda mais explosiva ao resto da humanidade.




