A propaganda do governo paulista se vangloria de ter alcançado “a menor taxa de homicídios da história”. Não resta, porém, a menor dúvida de que o número de pessoas mortas pela polícia aumentou com a chegada de João Doria ao poder.
Matando em média duas pessoas por dia, o braço armado comandado pelo governador tucano está por trás de uma a cada três mortes violentas cometidas no Estado de São Paulo.
Verdade é que a Rota matou 98% a mais em 2019, aponta relatório da Ouvidoria da Polícia de SP e, para o advogado Elizeu Soares Lopes, ouvidor das Polícias de São Paulo, o aumento no número de mortes pela PM de São Paulo, aliado com a alta nos homicídios do Estado, pode representar uma “mudança no comportamento da sociedade e de toda a polícia”, ou seja Doria não tem nenhuma responsabilidade. Mas, foi sob o governo de Dória que os homicídios tiveram alta no mês de março, passando de 255 no terceiro mês do ano passado para 296 para o mesmo mês deste ano.
Havemos de nos perguntar quem morre dentre esses números intrincados e crescentes? Os boletins de ocorrência do Portal da Transparência apontam a cor de pele de 202 pessoas mortas por PMs fardados no primeiro trimestre de 2020. Dos que tiveram essa informação descrita, 54,9% eram pardos e 8,9% eram pretos. Os B.O.s apontam para 72 (35,6%) brancos mortos por policiais militares em serviço e um oriental.
Os documentos indicam a idade de 128 mortos em supostas resistências. A maioria era jovem, ou seja, mais da metade (68) tinha entre 18 e 29 anos. Alguns muitos jovens, ou seja, treze vítimas eram adolescentes, sendo que o mais novo, Ronaldo dos Santos, tinha 14 anos, era pardo, e morreu no dia 22 de março, no Parque São Rafael, extremo da zona leste de São Paulo.
Verdade seja dita, no confronto, desafio à polícia ou defesa de ataques, há execução sumária. Embora, segundo a Secretaria de Segurança Pública, o confronto nunca é “uma opção dos agentes de segurança”, eles é que são confrontados. A ironia é que eles dizem que “a pasta afirma que os policiais atuam para prender e levar à Justiça aqueles que estão em desacordo com a lei”.
As mortes com Doria, mortes pela PM, batem recorde histórico em SP. Verdade é que Doria não compete mais, é hors-concours, está fora de julgamento ou competição pelo seu grau de destaque, de superioridade. O número de mortos no primeiro trimestre do ano foi o maior da série histórica, iniciada em 1996.
Isso é um exemplo do novo herói do povo, João Doria, propagandeado pela esquerda e convidado para o 1° de maio das centrais sindicais. O mesmo que diz salvar vidas durante esta pandemia e dá carta branca para a PM assassinar a população nos bairros das periferias paulistas.
É mesmo escandaloso. A cada oito horas e meia, um policial militar do Estado de São Paulo mata uma pessoa em ocorrência posteriormente registrada como “morte decorrente de intervenção policial”, o antigo auto de resistência.
Um governo letal, como letal é o fascismo. As classes trabalhadoras devem pôr abaixo o fascista e dissolver sua polícia assassina e formar as milícias operárias.




