O caráter predatório do capitalismo geralmente se revela em cores mais nítidas quando o conjunto da sociedade é atingido por crises profundas como a que vivemos. Na atual, vemos a população sendo brutalmente expropriada em duas formas: uma, as vultuosas transferências de renda realizadas pelos governos em favor dos banqueiros e os tubarões do capitalismo em geral. Um exemplo que ilustra isso de maneira muito clara é a prontidão com que o gabinete de Bolsonaro se prontifica a socorrer os mercados especulativos, com pacotes de ajuda da ordem de R$ 147 bilhões, enquanto se recusa em aumentar em R$20 bilhões a assistência dada a idosos pobres. A outra forma, muito mais próxima ao cotidiano da população, é através do tipo de especulação que está acontecendo na cidade de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul.
Segundo denúncia feita pela própria prefeitura, a empresa fornecedora vendeu à prefeitura caixas com 50 máscaras cirúrgicas a R$3,99 a unidade mas na hora da entrega, entendeu que podia lucrar muito mais e pediu R$126,00 na caixa, um aumento de inacreditáveis 3.150%! É verdade que no contexto da crise histórica do capitalismo, a inflação tende a ser enorme mas nada que se assemelhe a esse verdadeiro assalto, feito por carniceiros da pior espécie.
Os ideólogos do capitalismo tendem a fazer infinitas racionalizações a respeito dessa atitude de bandoleiros mas o fato concreto é que esses canalhas não pertencem as classe social atingidas pelo oportunismo, pertencem, isto sim, a classe social que ganha. Nesse sentido, convém lembrar que se o papel dos capitalistas é o de defender seus interesses sem nenhuma consideração pela coletividade a qual está inserido, o interesses dos trabalhadores é que, em momentos como o que vivemos, marcados pela emergência de uma pandemia devastadora, são os trabalhadores que tem interesse real em manter a linha de produção das fábricas de equipamentos médicos em pleno funcionamento, para garantir o abastecimento dos produtos que irão ajudar a salvar suas vidas, de suas famílias e do amplo círculo social, e também, garantir pela, força bruta se necessário, que nenhum patife se aproveite do drama que ameaça a população para especular com isso. Mesmo em países altamente capitalistas, a especulação diante de uma situação de severa ameaça social é amplamente rejeitada pela população.
A única solução para um abuso como este é que nenhum pagamento seja feito, que seja feita a expropriação da empresa em questão, de modo a tirar o controle da produção das mãos dos capitalistas, que se mostram verdadeiros criminosos, e passá-lo aos trabalhadores.


