Um dos mais recentes “heróis do povo”, João Doria, está terceirizando o Hospital Geral de Guaianases (HGG), em plena pandemia de coronavírus. Os trabalhadores do hospital serão todos mandados embora ou serão remanejados, podendo perder até 40% de seu salário além de outros benefícios, já que, a nova gestão irá com equipe completa.
A atitude mostra não somente que João Doria não dá a mínima para a população em geral, privatizando um hospital em meio a uma pandemia das mais mortais, como também demonstra que está disposto a atacar de qualquer maneira os trabalhadores da saúde, que além de lidarem diretamente com o vírus, serão mandados embora ou terão seus salários diminuídos.
A privatização do hospital só irá piorar ainda mais a já precária saúde no Brasil. Enquanto a maioria da população depende da saúde pública e gratuita, a maior parte dos leitos estão nas redes particulares e privadas, que além de cobrarem pelo atendimento, recebem ajuda do estado para se manter. Os leitos particulares até agora não foram colocados à disposição da população pobre, nem mesmo durante a pandemia.
O centro mundial da pandemia, os Estados Unidos, são também o país mais rico do mundo. Esse país, ao contrário do que seria lógico, é o que menos consegue oferecer para sua população um sistema de saúde bom o suficiente para impedir uma hecatombe. No entanto, por conta de seu sistema de saúde completamente privado, mais de 80 mil norte-americanos já perderam suas vidas, sendo a maioria esmagadora deles pobres.
Os trabalhadores da unidade realizaram um ato na última terça-feira, em que, além de exigir que ficassem em seus postos de trabalho mesmo com a privatização, pediam também para que a privatização não fosse realizada.
Os trabalhadores da área da saúde são os mais expostos ao coronavírus, já que, lidam diretamente com pessoas que possuem a doença. Dentre os trabalhadores do Hospital Geral de Guaianases, pelo menos dois morreram por conta do COVID-19.
A privatização por meio das chamadas “Organizações Sociais”, que nada mais são do que um desvio gigantesco do estado para setores privados, tem se tornado frequente em todo o Brasil, mesmo em épocas de pandemia de coronavírus.
Os trabalhadores da saúde, assim como os trabalhadores de todos os setores, devem se mobilizar para impedir a privatização dos hospitais públicos, além de exigir a estatização de toda a saúde no país. Não só estão em jogo os direitos trabalhistas e o salário dos trabalhadores da saúde – o que por si só já valeria uma grande mobilização – mas também está em jogo o acessoa à saúde, a qualidade de tratamentos e o fim para o qual devem estar orientados os hospitais, o fim de salvar vidas e não o de gerar lucro ou diminuir gastos.




