“Brasil na iminência de entrar em conflagração”, é o que dá a entender o filósofo e economista Eduardo Giannetti da Fonseca. Um dos intelectuais mais respeitados do país. Ele que foi assessor de Marina Silva, nas suas candidaturas presidenciais de 2010, 2014 e 2018.
A irritação da população contra as respostas que Bolsonaro tem dado à pandemia do coronavírus, coloca o Brasil à beira de uma incontrolável conflagração. O negacionismo do presidente, em reiteradas e repetitivas manifestações ante a pandemia de cononavírus, trata-se de estratégia eleitoral. Estratégia que atropela Bolsonaro, na mesma velocidade de expansão da pandemia.
Giannetti tem estudado os movimentos sociais que se tornaram cíclicos desde as jornadas junho de 2013. “Houve uma perda, possivelmente irreparável, de capital político de bolsonaro, pelo equívoco cometido diante da crise atual”. “A situação de privação material é gravíssima”. O tsunami, que o economista chama de “onda de descontentamento, começa a se erguer”.
O tsunami cononavírus ameaça atropelar Bolsonaro
“É uma postura negacionista”, a narrativa do presidente em negar a gravidade da pandemia. “Igualzinha à que ele têm em relação à mudança climática”. Mas com uma diferença: “o tempo da mudança climática é lento”.
Conectado com Trump, o presidente dos EUA Bolsonaro, acreditou que poderia empurrar o custo das medidas necessárias à contenção da propagação do coronavírus para o futuro. Atropelados pelo tsunami coronavírus, correm o risco de morrerem abraçados nos seus delírios reeleitorais.
“Se essa crise de saúde pública tiver como efeito colateral a corrosão, a destruição e a redução a pó dessa direita populista, ela não terá sido totalmente perdida”, conclui Gianetti.
Burguesia antevê labaredas à seus pés.
A crise foi iniciada bem antes da pandemia. Antes até das “Jornadas de Junho” de 2013. O golpe não somente visava o PT tirar do poder. Visava a destruição dos direitos trabalhistas, destruição da previdência pública, destruição das empresas públicas, destruição também das grandes empresas nacionais, do assalto ao pré-sal, o fim dos direitos democráticos. Tudo isto, tinha como protagonista, também o Bolsonaro. Mas não só ele.
A crise social é enorme. Burguesia tenta safar-se, e tudo colocar a responsabilidade do desastre no colo de Bolsonaro. A esquerda deveria estar preparando-se para esse momento, e intervir na situação, e não se esconder. Fora Bolsonaro e todos os golpistas.




