O PIB brasileiro está despencando. Para a Fundação Getúlio Vargas, é o pior resultado da história desde 1980. “O Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), aponta retração de 8,7% da atividade econômica no segundo trimestre, em comparação ao primeiro do ano, na análise da série dessazonalizada.” Mas a FGV verifica que a culpa não é da pandemia. “É inegável que a pandemia de covid-19 trouxe enormes desafios para a economia brasileira que ainda devem demorar a serem solucionados. No entanto, na análise desagregada dos meses do 2º trimestre, nota-se que o pior desempenho foi em abril.” (Valor, 18/8/20)
A queda mais expressiva foi verificada na indústria (-12,8%) e nos serviços (-8,4%). Apesar de ainda estar em retração, a queda maior foi em abril e maio e em junho a queda foi menor, fazendo com que alguns analistas digam que houve uma melhora nos indicadores apesar de se manterem negativos.
O Ministério da Economia anunciou que o PIB do 2º trimestre deve ter uma queda de 8% a 10% (Infomoney, 18/8/20). Apesar da crise, do desemprego e das dificuldades enfrentadas pelas pequenas e médias empresas, as maiores empregadoras, o Ministério da Economia mantém sua política de contenção de gastos e eliminação de investimentos. Dinheiro, só para os banqueiros.
A manutenção desses indicadores significa, para os trabalhadores, a permanência das dificuldades em arrumar emprego ou em manter o nível de renda do ano passado. As estimativas econômicas apontam para o crescimento do desemprego e redução dos direitos dos trabalhadores, apesar da pressão social que existe pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600 reais por mais tempo, mesmo sabendo-se que só uma parte das pessoas que têm direito chegaram a receber.
O governo tem se colocado com menos força contra a prorrogação do auxílio depois que as pesquisas de opinião mostraram que este pode ter sido o único fator que contribuiu para a melhoria da popularidade do governo junto as classes trabalhadoras. Segundo o governo, o custo mensal desse auxílio é de R$ 50 bilhões. Pesquisa do Datafolha realizada em 11 e 12 de agosto mostrou crescimento de Bolsonaro. Segundo artigo de Mauro Paulino e Alessandro Janoni, diretor-geral e diretor de Pesquisas do Datafolha respectivamente, “dos cinco pontos de crescimento da taxa de avaliação positiva, pelo menos três vêm dos trabalhadores informais ou desempregados que têm renda familiar de até três salários mínimos, grupo alvo do auxílio emergencial pago pelo governo desde abril e que tem sua última parcela programada para saque em setembro.” (BBC, 15/8/20)



