"Fake News"

Desorientada, esquerda defende ação da PF

a esquerda pequeno burguesa comemorou entusiasticamente a ação da PF contra as “milícias do fake news”,

Na última quarta-feira, dia 27, a Polícia Federal cumpriu diligências contra 29 pessoas a partir do despacho sobre as fakes news do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação estaria em busca de provas contra uma rede formada por empresários, políticos e blogueiros que supostamente formariam uma associação criminosa. Segundo Alexandre de Moraes, essa rede de Fake News promoveria mensagens de “ódio, subversão e de incentivo à quebra da normalidade institucional democrática”.

Nas redes sociais, a esquerda pequeno burguesa comemorou entusiasticamente a ação da PF contra as “milícias do fake news”, acreditando que o STF estaria desmontando o esquema de mentiras fabricadas pelo bolsonarismo.

Assim, Guilherme Boulos, ex-candidato a Presidente da República pelo PSOL, passou praticamente o dia inteiro passando mensagens de aplausos ao judiciário e a PF. “A quadrilha do fake news começa a ser desmontada”.

Por sua vez, Fernando Haddad (PT) postou que “estão chegando ao covil dos criminosos”, e propõe a criação de uma CPMI das Fake News. Já a pré-candidata à prefeitura de Porto Alegre, Manuela D`Avila declarou que “ há esperança!” , uma vez que os “ principais atores” da trama do fake news “já começam a prestar contas com a justiça”.

Praticamente todos os agrupamentos da esquerda exaltam a ação da PF como uma sinalização de como disse Manuela “há esperança!”, e que as instituições “ democráticas” ainda teriam fôlego para enfrentar as noticias falsas.

Interessante notar que nenhum combate efetivo contra a extrema direita a esquerda parlamentar efetivamente realiza, e fica como meros espectadores aguardando o desenlace dos embates entre as forças políticas burguesas. Nem mesmo existe uma apreciação do que expressa a atuação do judiciário e da PF nos diferentes conflitos.

As manifestações contra os ministros do STF e a atuação do “gabinete do ódio” teriam motivado a ação da PF, que teria como alvo possíveis financiadores da rede de fake news, como os donos da Havan e da rede de academias Smart Fit. Segundo Moraes os empresários atuam de “maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização”. (G1, 28/5/20) O despacho determinou ainda que seis deputados federais e dois deputados estaduais paulistas prestem depoimentos na Polícia Federal no inquérito.

A ação da PF um dia depois de ações da própria PF contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, no inquérito sobre o superfaturamento e desvio da verba pública na construção de hospital de campanha e compra de equipamento médico naquele Estado, indica a intensificação da crise política, e da utilização do judiciário na disputa entre os agrupamentos políticos de direita que estão em conflito.

O que mais impressiona na defesa da esquerda na atuação da PF no caso do “combate às fakes news” é o posicionamento absurdo em relação ao direito do estado em restringir opiniões, inclusive de parlamentares, que por sinal tem a prerrogativa constitucional de expressar posicionamentos políticos sem medo de cerceamento. O pretexto de combate a fake news leva a esquerda a exaltar as ações da PF contra parlamentares e contra jornalistas.

Acontece que o mesmo STF que hoje promove ações contra a direita amanhã também promoverá ações contra à esquerda, em nome do combate do fake news. Além disso, a imprensa corporativa empresarial controlada por meia dúzia de famílias, que promovem fake news em escala industrial. No golpe de Estado de 2016, essa imprensa burguesa promoveu mentiras de maneira deliberada, inclusive em conluio com o próprio judiciário contra o PT e o ex-presidente Lula, em particular. Entretanto, a esquerda nem sequer menciona nem muito menos questionada a dominação das informações por essa imprensa golpista.

Em praticamente em todas as questões, a esquerda encontra-se a reboque da direita. É preciso uma posição independente, não ficar a subordinado a uma das alas da burguesia que está em disputa. Apoiar o suposto combate às fake news significa justificar ações de censura e de intimidação por parte do judiciário.

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