Este Diário denunciou em sua edição de ontem o papel completamente equivocado dos sindicalistas dos Correios ao desmarcarem a greve da categoria que estava marcada para o dia 18 de março com a desculpa de que isso seria o melhor a se fazer para proteger os trabalhadores do contágio do coronavírus. Uma ideia completamente absurda, conforme procuramos explicar na matéria, já que o trabalho nos Correios é um risco de contágio por si só e o mais seguro seria justamente uma greve para exigir que o trabalho fosse interrompido.
A própria Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) publicou nesse dia 18 de março uma nota mostrando os riscos que boa paarte dos trabalhadores estão correndo nos setores de trabalho. Segundo a nota, “o general Floriano Peixoto [presidente dos Correios] soltou há pouco informe em que comunica uma série de medidas emergenciais para controle e redução da proliferação do vírus. Entre elas está a compra emergencial de álcool em gel, sabonete líquido e papel toalha e a liberação de trabalhadores que se encaixem em grupos de riscos como acima de 60 anos, com doenças crônicas, imunodepressivas, gestantes e lactantes.”
A nota da Federação ainda conclui que: “Vamos continuar acompanhando para garantir o cumprimento imediato das medidas para assegurar um ambiente seguro aos trabalhadores e a proteção com afastamento daqueles em grupos de riscos.”
Depois de desmarcar a greve da categoria pela quarta vez apenas esse ano, mesmo diante da iminente privatização da empresa e mesmo diante do altíssimo risco de contágio do coronavírus, a Fentect revela qual é sua real política: esperar que a direção da empresa, ou seja, que o governo Bolssonaro, resolva o problema dos trabalhadores.
É uma crença absurda de que os patrões, que estão colocando a vida de milhões de brasileiros em risco, se sensibilizem com os trabalhadores.
Não é hora de esperar. É o momento de mobilizar os trabalhadores e levantar um conjunto de reivindicações que não esperem nenhuma solução por parte dos capitalistas.



