Frente ampla e capitulação

Defesa do ensino remoto é uma capitulação da UBES à direita

UBES lançou nota admitindo política direitista com consequências em favor do ensino à distância e da volta às aulas. Para fazer frente a Bolsonaro, propõe fóruns de discussão.

A União Brasileira dos Estudantes (UBES) lança nota para rachar o movimento estudantil à direita. Novamente, a frente ampla nas direções de uma das principais entidades estudantis do país, que conta com milhões de estudantes em suas bases, se mostra completamente inútil para a luta estudantil, para ficar completamente à reboque do programa de Bolsonaro. A capitulação é uma reprodução da política do PCdoB, que cada vez mais se aproxima do bolsonarismo, como por exemplo defendendo o EAD desde o ano passado com o Future-se.

A nota lançada defende vergonhosamente o que podem ser considerados um dos maiores ataques históricos a educação. Em primeiro lugar a destruição do ensino público: aclamado ensino à distância. Em segundo, o genocídio da juventude e da comunidade escolar: a reabertura das escolas em plena pandemia. Na nota, a entidade não se mostra contra o projeto da direita, apenas propõe reformas medíocres e utópicas para validá-lo como solução para crise.

A Diretoria Executiva provisória acatou nesta terça (28), a criação de um fórum da direção para discutir o ensino remoto – um adorno do EAD – e as propostas de retorno presencial. Vale ressaltar que essa é a primeira reunião da Executiva, que já está formada desde maio. 

A primeira característica do fórum aprovado pela é que ele é não-deliberativo, ou seja, não haverá uma pauta concisa e muito menos uma votação. Os estudantes que estão agora sobre o EAD e sobre a ameaça da volta às aulas continuam sem poder de decisão no movimento estudantil. Nesse sentido, o que a UBES parece ignorar, é o fato de que todos esses ataques estão sendo impostos de forma ditatorial nas escolas e universidades.

Para piorar, o fórum argumenta com o mesmo discurso demagógico das governadores da direita: o ensino à distância pode ser implantando se todos tiverem acesso e disponibilidade para participar. Como coloca a direita, o único problema do EAD é a dificuldade técnica para introduzi-lo. Assim, basta uma campanha de auxílio internet e a de doação de aparelhos para considerá-lo um avanço na educação.

Outro argumento ainda mais horripilante é a defesa da volta às aulas. Nesse âmbito, a UBES defende que com os cuidados básicos de higiene e uma avaliação da curva de contágio nas regiões, o governo Bolsonaro já pode começar a depositar as crianças e os adolescentes nas instituições de ensino.

Fica claro que os fóruns criados não pretendem combater o programa genocida. Apenas revelam o caráter oportunista da entidade que quer manter uma imagem progressista enquanto os estudantes morrem de fome ou de vírus, e ainda terão que estudar. Além de todos esses fatores, a posição política da UBES ainda se recusa a levar até às últimas consequências o Fora Bolsonaro, e apenas pretendem organizar o governo como a direita tradicional.

A Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), tem seu programa em completa contradição ao do PCdoB. Já de início é contra o EAD em todos os níveis, assim como contra a volta às aulas enquanto não é seguro. A única solução combativa é a suspensão do semestre, ela deve ser exigida pela juventude com uma mobilização concreta, com greves e manifestações. 

A AJR defende também o governo tripartite nas escolas. Quem deve organizar como e quando voltam às aulas são os estudantes, os professores e os pais. Ao invés da criação de fóruns de discussão, é necessário organizar a formação de comitês que reivindiquem pela luta e pela mobilização o poder de decisão para as comunidades escolares e universitárias. Só elas podem estabelecer a data de retorno às aulas presenciais e a organização de qualquer forma de ensino remoto.

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