Nesta quinta (26) militantes da Corrente Sindical Ecetistas em Luta e militantes do Partido da Causa Operária (PCO), fizeram uma atividade para organizar os trabalhadores frente a política da extrema direita – do governo federal aos governos estaduais e municipais – que está condenando a morte os trabalhadores do país, seja pela infecção do coronavírus ou pelas demissões em massa e corte salariais aprovados pelos governos e legislativos do país, para transferir a renda dos trabalhadores para as contas bancárias dos grandes capitalistas.
E também frente a capitulação de toda a esquerda que deixa os trabalhadores desarmados com a imensa maioria dos sindicatos fechados por conta da política de isolamento parcial da extrema direita. Realizaram panfletagem no maior centro de distribuição dos Correios em São Paulo no CTC/CTE Jaguaré, localizado na Vila Leopoldina, distribuindo milhares de boletins ecetistas em luta, onde normalmente trabalham mais de 2000 pessoas.
O boletim distribuído chama os trabalhadores a se mobilizarem pela greve de toda categoria, como a única forma de defender a vida dos trabalhadores, suas famílias e seus salários e direitos.
Lá, várias denúncias foram feitas pelos trabalhadores à corrente Ecetistas em luta. Uma das mais revoltantes, é que alguns trabalhadores estão trabalhando com sintomas da doença, gerando uma possibilidade exponencial de transmissão do vírus tanto internamente no CTC/CTE Jaguaré, como para centenas de outros setores para onde são destinadas as mercadorias triadas no complexo. O que ocorre no setor da Vila Leopoldina é o que está a ocorrer em vários outros setores pelo país, como inclusive ocorreu em setores dos correios no município de Bauru, com o sindicato local, ligado a Findect, Federação divisionista ligada ao direitista PSTU, impetrando junto à justica pedido de suspensão dos serviços dos trabalhadores dos Correios em Bauru, assim como várias reividicacoes ligadas a questão de saúde dos trabalhadores, recebendo a negativa da justiça capitalista, que anunciou que o trabalho na Empresa Brasileira de Correios e Telegrafos é essencial, situação que a empresa já colocou em outros momentos de luta, em greves, quando a categoria nacionalmente destruiu a tentativa da direção da empresa em criminalizar as lutas dos trabalhadores
Veja o ataque aos trabalhadores definidos pela justiça:
“Decreto nº 10.282/2020, dispõem: “Art. 3º As medidas previstas na Lei nº 13.979, de 2020, deverão resguardar o exercício e o funcionamento dos serviços públicos e atividades essenciais a que se refere o § 1º. § 1º São serviços públicos e atividades essenciais aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, assim considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população, tais como: (…) XXI – serviços postais;” (…) “§ 3º É vedada a restrição à circulação de trabalhadores que possa afetar o funcionamento de serviços públicos e atividades essenciais, e de cargas de qualquer espécie que possam acarretar desabastecimento de gêneros necessários à população.”
“§ 7º Na execução dos serviços públicos e das atividades essenciais de que trata este artigo devem ser adotadas todas as cautelas para redução da transmissibilidade da covid -19.” Daí, extrai-se que a atividade exercida pela empresa requerida é considerada essencial, não podendo ser objeto de suspensão, conforme pleiteado pelo Sindicato autor nos itens “1a” e “1b” dos pedidos (pág. 19 da petição inicial).”
Na questão da saúde dos trabalhadores, defendendo os interesses da empresa dominada ultimamente pelos militares, a resposta da justiça ao sindicato e aos trabalhadores foi:
“Quanto à antecipação das férias de empregados com filhos em idade escolar, indefiro o pedido, uma vez que a Medida Provisória nº 927, de 22/03/2020, já regulamenta a matéria e cabe ao empregador decidir sobre a conveniência de tal concessão. Por fim, no tocante ao fechamento dos setores de trabalho onde for diagnosticado algum caso de COVID19, indefiro o pedido, pois formulado com base em hipótese ou conjectura, uma vez que não há, até o momento, caso concreto e tampouco determinação, nesse sentido, por parte das autoridades governamentais ou sanitárias.”
O exemplo de Bauru é apenas mais um entre milhares de outros, que demonstram o enorme erro da esquerda brasileira nos sindicatos em apoiar se na maioria dos momentos de luta de suas categorias na justiça capitalista, sabotando a única luta real que pode dar Vitória aos trabalhadores que é a sua mobilização e na situação atual de ataque aos ecetistas é a greve.
Outra denuncia foi a de que os funcionários do RH que ainda trabalham no Vila Leopoldina, (já que há dois anos, a imensa maioria foi demitida e os todos os serviços administrativos, foram para o Estado de MG) foram todos dispensados por conta do coronavírus pelo prazo da quarentena, mostrando a falácia da empresa do serviço essencial, que na verdade, só e’ essencial a triagem e a distribuição onde milhares de trabalhadores continuam a trabalhar em todo o país.
Os trabalhadores também não estão recebendo os EPIs necessários a sua proteção, tendo que comprar os produtos do próprio bolso para trabalhar.
Alguns trabalhadores reclamaram também do sindicato da categoria que permanece a maior parte do tempo fechado neste período nao recebendo e encaminhando as reivindicações da categoria, os trabalhadores reclamaram que enquanto a empresa já vai anunciando cortes, como os citados a seguir, o sindicato não dá resposta aos trabalhadores.
A empresa anunciou no último dia 25 de março os seguintes cortes:
1)Adicionais de atividade (AADC, AAG e AAT) ante a cessação, ainda que temporária, da circunstância que motiva o seu pagamento;
2)”Funções de Atividade Especial” por se tratarem de vantagem pecuniária “pro labore faciendo”, caso a prestação do serviço que enseja o seu pagamento não seja implementada;
3)Adicional por trabalho aos fins de semana, caso não haja o implemento da circunstância “trabalho aos fins de semana”, diante da sua natureza jurídica de salário-condição;
4)Vale-transporte, caso não haja o deslocamento do empregado no trajeto residência-trabalho e trabalho-residência.
Frente ao enorme ataque contra a vida e os salários da categoria é preciso criar comitês de luta dos ecetistas, para defender os trabalhadores diante da situação e ecigir dos sindicatos a convocação de assembleias (na forma que seja possível), para deliberar pela paralisação imediata das atividades da categoria, em defesa da vida de mais de 100 mil trabalhadores e de suas famílias.
Ao contrário do que defende a burocracia sindical “em isolamento” nos correios, só a greve da categoria poderá deter o contágio do Coronavirus e seus direitos.





