Nessa terça-feira (17) foi confirmado o primeiro caso de coronavírus nas dependências da Caixa Econômica Federal (CEF) em Brasília-DF.
Trata-se de um funcionário lotado no Edifício Matriz I, localizado no centro da Capital Federal. O que mais chama a atenção, em relação à propagação da pandemia no banco, que acaba de confirmar a primeira morte em solo brasileiro, são as medidas da direção para conter a epidemia nas dependências do banco.
Higienização em todo o andar do prédio, onde está lotado o contaminado; empregados que trabalhavam diretamente com o mesmo passarem a trabalhar em sistema remoto por 14 dias e orientações, por meio de nota em e-mail corporativo, sobre as diretrizes divulgadas pelo Ministério da Saúde, são medidas inócuas em relação às condições das dependências e agências bancárias, que são um ambiente propício para a propagação da doença.
Apenas o exemplo do Edifício Matriz I já é suficiente para termos a noção de que a direção da Caixa não vê com a menor preocupação o problema da pandemia, em que os casos dos contágios só vem aumentando.
O prédio tem mais de 15 andares, com cerca de mil trabalhadores, que neste momento estão correndo o risco iminente de serem infectados, pois são ambientes pouco arejados, sem materiais de proteção, tais como álcool gel (que está faltando no mercado), máscaras, luvas, etc.
E aqui estamos apenas tratando de dependências internas do banco, quando nas agências o quadro se agrava de maneira avassaladora.
Um relato de um funcionário dá o tom da gravidade da situação, quando faz a denúncia no seu setor de atendimento em que uma cliente que tossia e apresentava falta de ar foi perguntada sobre os seus sintomas e a mesma respondeu que ela estava aguardando o resultado do exame para confirmar se estava com o coronavírus, após chegar de viagem.
Todo mundo sabe como são as agências bancários no Brasil, um verdadeiro caos, lotadas sem ventilação. Nas salas de autoatendimento as pessoas ficam aglomeradas; uma tosse de um infectado, já era.
As medidas adotadas pela direção do banco são totalmente ineficazes para a contenção da propagação do vírus, os bancários da Caixa e seus clientes sofrem um sério risco de contaminação.
Por parte das direções sindicais há um enorme confusão quando depositam qualquer confiança nas pequenas medidas que estão sendo tomadas pelos banqueiros. No Banco do Brasil, por exemplo, houveram algumas orientações, que no geral não terão o mínimo efeito, tais como as grávidas, funcionários acima de 60 anos, ou aqueles portadores de doenças crônicas passam a trabalhar em home-office, ou seja, em casa. Essa parcela de funcionários é inexpressiva em comparação aos 89 mil trabalhadores do BB, que estarão sujeitos a contrair a doença.
É preciso ter claro que os banqueiros, em especial a direção dos bancos estatais, são os mesmo que apoiaram o golpe de Estado, financiam os parlamentares que aprovaram a PEC da morte, que congelou os gastos públicos em vinte anos, que massacram os trabalhadores todos os dias, como crise de pandemia ou sem crise. A preocupação deles não é com a saúde dos trabalhadores e muito menos com a população em geral, a única coisa que importa é o lucro. Se fosse assim, porque não suspender o pagamento dos juros da dívida pública, que consome cerca de 50% do orçamento público, para combater a pandemia. Achar que banqueiro está disposto a abrir mão dos seus lucros para satisfazer os interesses dos trabalhadores é conversa para boi dormir.
Somente a luta e as mobilizações dos trabalhadores poderá barrar a ofensiva do coronavírus e os ataques dos banqueiros e capitalistas. Estatização do sistema financeiro sob o controle dos trabalhadores, paralisar toda a atividade bancária, nenhuma demissão, etc., devem ser tema tema de um congresso de toda a categoria bancária, que deve ser convocado imediatamente, para aprovar um plano de lutas contra a política de ataques dos banqueiros e seus governos e para combater a proliferação do vírus no ambiente bancário.




