A maior reserva extrativista (Resex) do Brasil, a Verde para Sempre, localizada no município de Porto de Moz, no Pará, vem sofrendo investidas das madeireiras e dos grandes proprietários de gado desde que foi criada por decreto presidencial em 2004. Recentemente, a tentativa de retomar o controle do território que ocuparam ilegalmente de 1940 a 2004 ganhou força com a eleição fraudulenta de Jair Bolsonaro.
A criação da reserva foi produto de intensa mobilização das populações que vivem na região, sendo oficializada no início do primeiro governo Lula. No entanto, as atividades ilegais seguiram se desenvolvendo, como a criação intensiva de Búfalos e a venda ilegal de terras.
Políticos locais, alinhados com o governo Bolsonaro, atuam para diminuir o tamanho da reserva, alterar seu status (permitindo a exploração pelos latifundiários) e liberar a criação de animais de grande porte.
Apesar da criação de búfalos ser tradicional na região, a liberação da criação intensiva traria sérias consequências ambientais e, consequentemente, sociais para a população local. Fora que serviria como porta de entrada para a ampliação da exploração da área e das outras reservas extrativistas brasileiras.
Projeto bolsonarista para a Amazônia
Esta iniciativa se insere na política adotada desde o início deste governo ilegítimo, que antes de começar já declarou guerra ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Assediados pelo atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, bolsonarista condenado por crime ambiental, ambos institutos sofreram intervenção que afastou os profissionais técnicos. A diretoria do ICMBio, por exemplo, foi toda substituída por Policiais Militares do Estado de São Paulo.
Bolsonaro já declarou que isentaria os crimes de pistoleiros e latifundiários contra sem-terra e indígenas. Neste sentido, aparelhar os órgãos de fiscalização e preservação do meio ambiente facilita muito a descriminalização das ações ilegais que são praticadas há séculos pelos usurpadores dos territórios nacionais.
Para beneficiar os latifundiários o governo oferece áreas de reservas como espaço para pasto e monoculturas agrícolas, atacando a subsistência das populações tradicionais.
Barrar a ofensiva
É preciso lutar contra essa onda de ofensivas do governo ilegítimo de Bolsonaro com a mobilização dos sem-terra, indígenas e quilombolas. Somente as ocupações de terra, dos prédios públicos e o trancamento das estradas pode parar esse projeto.
Não será através de projeto de lei ou da substituição pontual de algum cargo no governo, mas da ação efetiva dos principais interessados, que essa situação será revertida. Para impedir o avanço dos latifundiários só com o “Fora Bolsonaro”.





