Dizem por aí que nós temos as flores e eles têm a armas. Logo em seguida se pergunta: quem venceria uma guerra entre nós e eles? De um lado uma esquerda paralisada é fiadora das maiores derrotas impostas aos trabalhadores.
De outro lado, a burguesia e os ataques diários de cortes de direitos, suspensão de até 50% dos salários, informalidade, uso político do coronavírus, desemprego galopante, miséria crescente e golpes dentro do Golpe.
Agora Bolsonaro ameaça a cumprir uma promessa de campanha: o “Brasil tem direitos em excesso. A ideia é aprofundar a reforma trabalhista”, a ideia é fazer uma CTPS, uma carteira verde-amarela, patriota, só com salário, sem vestígio de 13 °, férias, 40% do FGTS, nada, ATS, ou seja o retorno ao início do século XX, uma verdadeira máquina do Tempo.
Aliás, Bolsonaro, em sua primeira entrevista concedida como presidente, reafirmou sua visão de que é preciso aprofundar a reforma trabalhista aprovada pelo Governo Temer: “O Brasil é o país dos direitos em excesso, mas faltam empregos. Olha os Estados Unidos, eles quase não têm direitos. A ideia é aprofundar a reforma trabalhista”, afirmou a jornalistas do canal SBT,
Bolsonaro é uma espécie de Freddy Krueger, um realizador dos piores pesadelos. E, diante de uma esquerda que teme o povo e o movimento nas ruas em meio à onda de cancelamento de agendas em Brasília (DF) por conta do avanço do coronavírus, a portas fechadas, parlamentares votaram e aprovaram, nesta terça-feira (17), a Medida Provisória (MP) 905. Conhecida como “Carteira de Trabalho Verde e Amarela”, a MP foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em novembro que aprofunda a reforma trabalhista.
As perdas para os trabalhadores são muitas. Entre diferentes pontos, ela reduz garantias relacionadas aos acidentes de trabalho e modifica, de 8% para 2%, a alíquota de contribuição ao FGTS paga pelo empregador. Também diminui de 40% para 20% a multa paga em caso de demissão, por exemplo.
O texto avaliado pela comissão nesta terça é a última versão do parecer do relator da MP, Christino Aureo (PP-RJ), que foi aprovada por 12 votos a um.
Uma esquerda comedora de moscas e que tem alergia ao povo. Uma esquerda despachante que se especializou em levantarem plaquinhas no congresso e deixar que o povo amargue as maiores derrotas. Na semana passada, atos oficiais assinados pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), impuseram medidas restritivas de circulação no Congresso Nacional por conta da pandemia.
Audiências públicas e sessões solenes, por exemplo, foram suspensas, mas, garantiu-se a votação da MP 905. A votação do relatório da medida foi marcada pela presença de servidores, assessores e parlamentares usando máscaras. Entre eles, estavam os deputados Kim Kitaguari (DEM-SP), Bia Kicis (PSL-DF) e o próprio vice-presidente do colegiado, Lucas Vergilio (Solidariedade-GO).
A direita impôs aos trabalhadores uma derrota fragorosa sob a cobertura de uma esquerda covarde que nem sequer fez alarde aos trabalhadores.



