O governo Jair Bolsonaro e sua equipe econômica estudam a redução do auxílio emergencial de R$ 600,00 para R$ 300,00 ou R$ 200,00. Depois de pagar a última parcela no mês de junho, a ideia é prorrogar por mais dois meses e reduzir o valor repassado à população. Isso em um momento de ápice da pandemia do Covid-19, com mais de 1 milhão de infecções e 50 mil mortes. O alto índice de desemprego e a miséria crescente que se verificam em todo o país inviabilizam qualquer tipo de perspectiva para amplos setores da população.
Bolsonaro alega que o Poder Executivo federal não tem caixa para fazer mais dois pagamentos com o valor original. O presidente alega que o benefício custa 50 bilhões por mês. De acordo com dados da equipe econômica, são 62 milhões de brasileiros que já foram aprovados para receber e mais 2,6 milhões de cadastros seguem em análise no Ministério da Cidadania.
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), expressou que o ideal seria manter os R$ 600,00. Contudo, já se admite a possibilidade de redução do valor ou o pagamento de uma única parcela adicional.
Os 50 bilhões mensais disponibilizados por Bolsonaro, que são uma verdadeira migalha para dezenas de milhões de brasileiros, não significam nada perto dos 1 trilhão de reais disponibilizados para socorrer meia dúzia de bancos e instituições financeiras. Em meio à pandemia, Bolsonaro propôs uma série de medidas de retiradas de direitos sociais e trabalhistas, como facilitação das demissões e terceirizações, e fez campanha aberta pela reabertura de todas as atividades, de forma a expor a população ao contágio e à morte pelo coronavírus.
A disputa entre o governo Bolsonaro e bloco político do Centrão (MDB, PSDB, DEM, Republicanos, Progressistas, PL, PTB) no Congresso Nacional não passa de demagogia. Este último tentou se capitalizar politicamente com a concessão do pífio auxílio, com a intenção de passar a ideia de que há sensibilidade com as dificuldades enfrentadas por amplas parcelas da população. O auxílio emergencial foi destacado como um grande socorro ao povo, mas que na verdade não cobre os custos de sobrevivência de uma família.
Bolsonaro e o Centrão, como representantes políticos do bancos e grandes capitalistas, não podem dar nenhuma resposta concreta aos interesses da população. As políticas neoliberais implementadas de forma acelerada com o golpe de Estado – como o congelamento de investimentos públicos por 20 anos -, submetem o país à tirania dos bancos inviabilizam qualquer política destinada a enfrentar, de fato, a pandemia. Assim, Bolsonaro e o Centrão têm de optar entre socorrer a população e manter o Estado neoliberal dos bancos. Fica claro que a última opção é predominante.



