Burguesia desacredita Guedes

Burguesia alerta para que erros de 2008 não se repitam

Descrente do governo golpista e, embora tenha uma visão limitada que não vê além de soluções para salvar o capital, teme repetir o erro de 2008

Interessante ver o ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, 62, ser entrevistado e
dizer, que, diferente do que aconteceu na crise de 2008, quando a burguesia salvou os
banqueiros da bancarrota e fez o país mergulhar em uma recessão, agora o dinheiro
deveria ser destinado a salvar o trabalhador da crise sanitária e econômica.

Se em 2008 o Brasil investiu nos Bancos para aumentar o acesso ao crédito da população,
errou por ter ficado muito tempo tentando salvar os banqueiros e por não ter deixado a
economia fluir.

“O Brasil tem uma experiência de lidar com a crise de 2008/2009, que produziu um fracasso
e desorganizou a economia brasileira”, afirma Hartung.

Hartung também concorda que se trata de uma crise de saúde pública com um enorme
impacto na economia e com repercussões sociais extremamente relevantes. Problema de
renda, famílias, desemprego, desocupação. Mas ele também acha que o remédio não é
ideológico, de corrente de pensamento político ou econômico. O remédio é universal. Não
tem diferença entre o que o governo chinês está fazendo, o da Alemanha, e o que nós
temos de fazer aqui. Ele acha que, para esse momento, é necessário sacar um dinheiro do
futuro, que pertence às futuras gerações , e que, embora necessário, é um dinheiro que
deixa uma dívida para as futuras gerações. E, por isso mesmo, é um dinheiro que precisa
ser alocado de uma maneira extremamente respeitosa.

Pelo menos ele entende que o gasto público precisa estruturar melhor o nosso serviço de
saúde, comprar respiradores, contratar gente, equipamentos de proteção para os
profissionais. Colocar dinheiro no Bolsa Família e proteger os trabalhadores informais. Mas
daí para a frente, enfatiza, precisa ser muito seletivo para que o governo não cobra
equívocos de aplicações financeiras de A, B, ou C. O software que a gente trabalhava era
de uma realidade. A realidade mudou, e a gente tem que trocar o software.

De fato, ele percebe que a crise explicita de uma forma dramática nossas contradições, a
desigualdade, a baixíssima mobilidade social. E que está muito claro que nós perdemos
tempo. Mas não devemos ficar parados, e muito menos transformar esse episódio em luta
política. Precisamos de uma liderança. Se eu pudesse clamar por uma coisa é baixar a
bola, conclui Hartung

O que Hartung consegue ver é que Bolsonaro não é uma liderança que dê conta de
entender o que precisa fazer, nem muito menos para implementar um plano de austeridade
quando tudo isso passar.

De qualquer forma, por ser um economista burguês, Hartung só enxerga soluções para
salvar o capital de sua agonizante situação, e não percebe que o coronavírus não fez mais
que aguçar a crise econômica que já existia, colocando em cheque o neoliberalismo que foi
a solução do capital para evitar o seu colapso.

E é exatamente isso do que precisamos. Entender que a solução hoje é socialista, sem o
que, nem mesmo as poucas medidas sugeridas por ele serão suficientes para deter a
derrocada econômica que nos abate. Sem a estatização da economia, sem acabarmos com
a péssima distribuição de renda existente com o capitalismo, não vai sobrar trabalhador
para movimentar a economia, porque esse sim, o trabalhador, é o grande motor da
economia.

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