Dando concretude à denúncia de que a luta de classes se acirra na crise, o capitalismo volta sua artilharia de guerra econômica contra os trabalhadores utilizando as concessionárias de energia elétrica. Serviço essencial a qualquer sociedade minimamente integrada ao mundo industrial, a emergência provocada pela pandemia do coronavírus deu ao acesso à eletricidade um caráter ainda mais urgente. Como não poderia deixar de ser, os capitalistas que controlam o setor aproveitam para explorar ainda mais a população, que sem opção, se vê refém do parasitismo da burguesia.
A política criminosa do setor, apoiada (naturalmente) pelo golpista Jair Bolsonaro, prevê socorro de até R$12 bilhões às empresas do setor, especialmente as concessionárias do ramo de distribuição (que não custa lembrar, já foram estatais). Isto por que, supostamente, os capitalistas que lucram com as empresas estariam em dificuldades devido ao custo provocado pela queda na demanda aliada ao aumento da inadimplência. Desta forma, o governo espera evitar um aumento de 12% na tarifa elétrica. Assim, o regime espera reduzir o reajuste da tarifa para cerca de 5% a partir do segundo semestre. Um golpe digno de bandoleiros da pior espécie.
Primeiro pelo assalto indireto, pela via dos cofres públicos. Tendo controle da burocracia política a ponto de forçar um socorro pelo governo federal, é óbvio que os capitalistas que controlam as empresas do setor não irão devolver o suposto financiamento.
Direta ou indiretamente, são os tabalhadores quem pagam impostos no Brasil, por isso, sempre que lermos notícias sobre bondades multibilionárias do governo aos grandes capitalistas, é preciso clareza de que empresários empurram o custo dos tributos mas os trabalhadores não podem fazer o mesmo. Isto é importante para lembrarmos quem está perdendo com essa jogada.
O segundo assalto é direto, contra a população. Aqui vale também a lembrança de que os patrões empurram o custo do aumento tarifário porém o trabalhador não tem o poder de fazer o mesmo. Isto é ainda mais importante de termos em mente para desmontar outra farsa do golpe, a suposição de que o aumento dos custos das concessionárias será dividido entre empresas e consumidores. Não vai.
Além disso, com previsão de retração recorde na atividade econômica aliado e explosão do desemprego, a previsão de inflação a 2,5% é ainda mais pesada ao trabalhador do que percentuais maiores ocorridas sob condições de atividade econômica melhores. Com isto em mente, o reajuste de 5% na tarifa será, também, duplamente oneroso aos trabalhadores, que terão de arcar com o próprio consumo (mais caro) e ainda o consumo, por exemplo, das empresas de transporte público (qualquer uma que use energia elétrica na verdade).
Este último ponto é ainda mais escandaloso na medida em que a Associação Brasileira de Grandes Consumidores (Abrace), na figura de seu presidente Paulo Pedrosa, declara-se favorável à preservação do caixa das concessionárias. Dito com a tranquilidade de alguém que sabe quem paga os R$1,2 trilhão, a título de resgate da “economia” (leia-se dos capitalistas), os R$12 bilhões entregues aos pobres capitalistas, os R$240 bilhões de faturamento anual do conjunto das empresas do setor e também os R$6 bilhões a mais nesse limitado montante, conseguidos com o benevolente reajuste de 5% concedido pelo governo.



