É hora de ocupar as ruas

Assim como na França, barrar os ataques nas ruas

As mobilizações e a luta social de massas se coloca como a única alternativa eficaz para derrotar as reformas neoliberais e os ataques do governo golpista

Há mais de um mês, na França, desde quando o governo do presidente Emmanuel Macron – representante dos banqueiros – anunciou ao país a disposição de levar adiante o projeto de reforma da Previdência, tendo como um dos principais pontos o aumento da idade mínima, de 62 para 64 anos para a aposentadoria, o País passou a vivenciar uma das maiores mobilizações dos últimos tempos, bem ao estilo da tradição de luta do movimento operário francês, um dos mais fortes e bem organizados da Europa e de todo o mundo.

As gigantescas e multitudinárias mobilizações nas principais cidades do país impuseram uma importante derrota ao governo, obrigando o presidente Macron a recuar em seus intentos de fazer os trabalhadores pagarem pela crise do capitalismo francês e europeu. Em momento algum houve qualquer vacilação ou recuo por parte dos trabalhadores em sua determinação de ir para cima do governo e impedir o ataque a um direito e a uma conquista histórica do movimento de luta da classe operária francesa.

A importante derrota de Macron no projeto de reforma das pensões dos trabalhadores, no entanto, não fez com que as mobilizações cessassem, embora o ponto mais importante do projeto – a não elevação da idade mínima – tenha sido retirado da proposta. A luta, contudo, não se encerra nessa questão, pois mesmo diante da vitória importante, os trabalhadores permanecem mobilizados, ainda que o contingente de grevistas tenha diminuído. O que vem acontecendo na França neste momento é que os trabalhadores não estão dispostos a abandonar as ruas até que o projeto de reforma seja retirado por completo e a derrota do governo Macron seja cabal e definitiva

Na quinta-feira, dia 16 de janeiro, quase 250 mil pessoas se manifestaram em Paris pela retirada completa do projeto. A enorme disposição de luta dos trabalhadores vem fazendo com que as mobilizações ultrapassem os limites impostos pelas direções sindicais, que sempre impõem limites ao enfrentamento das massas populares contra o governo e o Estado burguês em seu conjunto. O presidente Macron vem sendo confrontado com enormes mobilizações, onde dezenas de categorias cruzaram os braços durante todo o ano passado em protesto contra os ataques às suas condições de vida, contra a retirada de direitos e conquistas.

Este espetacular exemplo de determinação e disposição de luta da classe operária francesa, uma das mais bem organizadas e combativas de todo o mundo, deve “contaminar” todo o movimento de luta das massas populares em todos os principais países, pois este é o caminho para a vitória dos trabalhadores e para a derrota da burguesia, da extrema direita, do imperialismo e do grande capital. No Brasil, os trabalhadores e as massas populares já deram várias demonstrações de que estão dispostos a enfrentar o governo fascistóide de Bolsonaro e seu ministro destruidor de direitos, o neoliberal Paulo Guedes. Na contramão desta perspectiva, no entanto, as direções sindicais, populares e estudantis – assim como a esquerda em seu conjunto – permanecem paralisadas, sem nenhum plano de ação para enfrentar o ataque dos patrões e do governo golpista.

Mais do que nunca, mais do que em qualquer outro momento, está colocada a necessidade da ruptura com o estado de prostração e paralisia que impera no movimento, que toma conta da esquerda nacional. O governo Bolsonaro está fragilizado, sem ação, sem qualquer mínima perspetiva para apresentar ao País. Esta situação, no entanto, não conduzirá à sua queda. Faz-se necessário a deflagração de um amplo movimento de luta, que reúna centenas de milhares, milhões de trabalhadores e populares para um enfrentamento direto contra o governo de extrema direita, da burguesia golpista e do imperialismo. Este movimento deve assumir materialidade na palavra de ordem de “Fora Bolsonaro”, fora todos os golpistas, por novas eleições, pela derrota do golpe.

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