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O Pinochet brasileiro

04/12/1905: nasce o presidente fascista Garrastazu Médici

Medici governou de 1969 à 1974, foi o ditador mais sanguinário de todos os militares, por isso o período é chamado de “os anos de chumbo”, ao povo só restava repressão e a fome


No dia 04 de dezembro de 1905 nasceu o ditador fascista Emílio Garrastazu Médici, o Pinochet do Brasil, seu governo, o mais sanguinário de todo o período, se iniciou após a morte de Costa e Silva, general que baixou o AI-5.

Seus anos no poder, 1969 à 1974, coincidem com o suposto “milagre econômico”, uma propaganda direitista para esconder a completa submissão econômica ao imperialismo que foi estabelecida por meio das dividas astronômicas usadas para obras faraônicas que enriquecia apenas a burguesia enquanto a população seguia morrendo de fome e da repressão. Posteriormente ele foi contra o processo de anistia do governo Figueiredo, se afastou da política e morreu em 9 de outubro de 1985 com 79 anos.

A ditadura militar brasileira se iniciou com o golpe de 1964 contra o governo nacionalista de Jango, ele foi organizado pelo imperialismo e teve amplo apoio da burguesia brasileira e de um grande setor dos militares que após a vitória do golpe expurgou toda a ala nacionalista do exército, que na época possuía um tamanho considerável.

Todos os militares que tiveram cargos na ditadura, como Médici, eram os mais submissos aos interesses dos EUA e demais países imperialistas e tinham a política de esmagamento da classe trabalhadora para enriquecer os bancos internacionais.

Dentre esta ala dos militares existiu a divisão entre a linha dura e os “moderados”, também chamados de castelistas devido ao primeiro ditador militar, o marechal golpista Castelo Branco. Para se ter uma noção durante o primeiro período da ditadura, entre 1964 e 1968, se estabeleceu um regime de terrorismo contra a população, a tortura se tornou cotidiana, os sindicatos todos sofreram intervenções para se tornarem sindicatos da ditadura, as organizações camponesas foram todas esmagadas e diversas lideranças de esquerda assassinadas. Toda essa repressão sustentou a política de esmagar a população que garantiu por exemplo um arrocho salarial de 25%, esta era ala “moderada”, só que a partir de 1967 assumiu a linha dura

Costa e Silva foi o responsável por massacrar as mobilizações estudantis e grevistas de 1968 e baixar o AI-5 que fecharia completamente o regime foi nessa conjuntura que assumiu Médici em 1969. Uma das características principais de seu governo foi a resistência armada ao regime, a resposta foi a intensificação da repressão, pequenas grupos armados eram massacrados por milhares de soldados como aconteceu no Araguaia. Foi em seu governo também o assassinato do líder revolucionário Carlos Marighella, além dos inúmeros assassinatos e torturas brutais para reprimir completamente a resistência à ditadura.

No terreno econômico Medici impôs a política tradicional dos governantes fascistas em países atrasados, a submissão completa ao imperialismo. Os bancos internacionais necessitavam escravizar os países dominados com dividas, assim o país, que entrou em 1964 com a divida de 3,4 bilhões de dólares, terminou em 1985 (inicio do governo Sarney) com 104 bilhões, em proporção do PIB a divida foi de 15,7% para 54%, e ela assola o Brasil até hoje sugando uma enorme parcela dos recursos nacionais diretamente para enriquecer os bancos. Para a classe operária os espólios do “milagre” passaram longe, a inflação cresceu de maneira tão exponencial que quase tornou impossível a sobrevivência da população, o salário mínimo real caiu desde o golpe até a década de 1990 e só foi atingir novamente níveis próximos aos de antes de 1964 no governo Dilma.

O governo sanguinário de Medici foi sucedido pelos governos “moderados” de Geisel e Figueiredo até que as gigantescas mobilizações populares derrubaram a ditadura militar, contudo devido ao acordo feito por meio da frente ampla das Diretas Já não houve grandes alterações nas forças armadas e os mesmos fascistas que existiram durante a ditadura hoje em dia são os militares que estão no governo. É inconcebível subestimar o perigo que os Medicis da atualidade (Bolsonaro, Mourão, Villas Boas, Heleno, Braga Neto) apresentam a classe trabalhadora brasileira, só a mobilização do povo pode impedir um novo golpe militar e também derrotar o atual regime golpista que assola o país desde 2016.

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