Dos partidos da esquerda pequeno-burguesa que se colocaram a favor do golpe de Estado o PSTU foi o mais claro em sua aliança com a direita golpista. Defenderam o golpe contra Dilma, defenderam a prisão de Lula e agora mantém sua posição golpista. Continua negando a existência do golpe e continua defendendo que Lula deve estar preso. Guardadas as proporções de seu tamanho e importância na situação política, o PSTU é cúmplice do governo Bolsonaro.
Dito isso, fica mais fácil de entender politicamente a posição do PSTU no artigo assinado pela juventude do partido “Lula livre não representa os atos em defesa da Educação”. O artigo critica o discurso de Gleisi Hoffman durante o Festival Lula Livre em que diz que a defesa de Lula está ligada à luta pela educação. Segundo o PSTU isso seria “impor a pauta Lula Livre” nas manifestações. Uma posição similar à da imprensa golpista brasileira que tem insistentemente feito campanha contra a presença do PT e da defesa de Lula nas manifestações. Em editorial do dia 1º de junho o Estado de S. Paulo diz: “Gleisi Hoffmann, subiu num carro de som, prometeu mobilização permanente nas ruas e desafiou o presidente Jair Bolsonaro: ‘Nós não temos medo de você’. Já o líder petista Rui Falcão celebrou a manifestação dos estudantes dizendo que “hoje é dia de Lula”, sem explicar exatamente o que os cortes na área de Educação têm a ver com o presidiário petista”.
Assim como o Estadão, o PSTU não quer a luta pela liberdade de Lula nas manifestações. Mantendo sua coerência golpista, o PSTU quer censurar as palavras de ordem nos atos para ajudar seus aliados da direita.
Segundo o PSTU golpista, “Se por um lado cada manifestante ou organização deva ter toda liberdade de levar a reivindicação que for às ruas, por outro, essa política da direção do PT seria um verdadeiro desserviço à luta contra os cortes na Educação pelo governo Bolsonaro e a reforma da Previdência.” Ou seja, o PT pode falar o que quiser, mas isso seria um “desserviço à unidade”. Deveríamos perguntar ao PSTU: “unidade com quem?” E a resposta só pode ser uma: com a direita golpista que também não quer defender Lula.
O PSTU, como cúmplice do golpe, tem também sua responsabilidade pelas medidas dos golpistas: a reforma da Previdência, os cortes na educação e a própria chegada de Bolsonaro à presidência. Mas agora, dentro dos atos que lutam contra tudo isso, aqueles que foram cúmplices querem dizer qual seria a política correta dentro dessas manifestações.
O PSTU acha que a luta pela liberdade de Lula não unifica. Esta é na verdade a maneira ensaboada de dizer que defende a Lava Jato bolsonarista e todos os golpistas. “O PT, diante da seletividade da Justiça, acaba defendendo a impunidade. O PSTU, ao contrário, defende a prisão e o confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores, e por isso não faz parte do movimento Lula Livre.” Propomos ao PSTU ir nas manifestações defendendo abertamente a prisão de Lula, será que essa política unificaria todos os presentes?




